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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um controle psiquiátrico da dissidência?

 
Comportamento anti-autoritário, que recomenda avaliar poder antes de respeitá-lo, pode estar sendo reprimido desde a infância por diagnósticos e medicamentos questionáveis
Por Bruce E. Levine, em Alternet | Tradução: Antonio Martins | Imagem: Rico Gatson, O Grupo
Em minha carreira como psicólogo, falei com centenas de pessoas antes diagnosticadas por outros profissionais como portadoras de Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Ansiedade e outras doenças psiquiátricas. Estou chocado por dois fatos: 1) quantos destes pacientes são, em essência, anti-autoritários; 2) como os profissionais que os diagnosticaram não o são.
Os anti-autoritários questionam se uma autoridade é legítima, antes de levá-la a sério. Sua avaliação de legitimidade inclui avaliar se as autoridades sabem de fato do que estão falando; se são honestas; e se se preocupam com aqueles que as respeitam. Quando anti-autoritários avaliam uma autoridade como ilegítima, eles desafiam e resistem a seu poder. Certas vezes, de forma agressiva; outras, de forma agressivo-passiva. Às vezes, com sabedoria; outras, não.
Alguns ativistas lamentam como parecem ser poucos os anti-autoritários nos Estados Unidos. Uma razão pode estar em que muitos anti-autoritários são psico-diagnosticados e medicados antes de formarem consciência política a respeito das autoridades sociais mais opressoras.
Por que profissionais de Saúde mental veem anti-autoritários como portadores de distúrbios mentais
Conquistar aceitação nas escolas superiores ou de especialização de medicina, e obter um doutoramento ou pós-doutoramento como psicólogo ou psiquiatra, significa superar muitos obstáculos. Requer adequar-se comportamentalmente a autoridades – inclusive aquelas pelas quais não se tem respeito. A seleção e socialização dos profissionais de saúde mental tende a excluir muitos anti-autoritários. Graus e credenciais são, antes de tudo, atestados de adequação. Quem estendeu seus estudos, viveu longos anos em um mundo onde é preciso conformar-se rotineiramente com as exigências de autoridades. Por isso, para muitos doutores e pós-doutores em saúde mental, pessoas diferentes, que rejeitam esta adequação comportamental, parecem ser de outro mundo – um mundo diagnosticável.
Descobri que a maior parte dos psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde mental não são apenas extraordinariamente adequados às autoridades – mas também inconscientes da magnitude de sua obediência. Também tornou-se claro para mim que o anti-autoritarismo de seus pacientes cria enorme ansiedade entre estes profissionais, o que impulsiona diagnósticos e tratamentos.
Na universidade, descobri que para ser rotulado como alguém com “problemas com autoridade”, bastava não bajular um diretor de treinamento clínico cuja personalidade era uma combinação de Donald Trump, Newt Gingrich e Howard Cosell. Quando alguns professores me disseram que eu tinha “problemas com autoridade”, reagi ao rótulo com sentimentos contraditórios. Por um lado, achei interessante, porque entre os filhos de trabalhadores, com quem havia crescido, eu era considerado de certa forma obediente à autoridade. Além disso, eu tinha feito minhas lições de casa, estudado e recebido boas notas. Entretanto, embora os meus novos “problemas com autoridade” deixassem-me alegre, por ser agora visto como um bad boy, também me preocupava com o tipo de profissão em que estava entrando. Mais especificamente, se alguém como eu era visto como tendo “problemas com autoridade”, como seriam chamados os garotos com quem cresci – atentos a tantas coisas que lhes interessavam, mas não suficientemente interessados com a escola para obedecê-la? Logo a resposta tornou-se clara.
Diagnósticos de doença mental para anti-autoritários
Um artigo de 2009 no Psychiatric Times, intitulado “TDO e TDAH: Enfrentando os Desafios do Comportamento Disruptivo”, relata que os “transtornos disruptivos”, uma categoria que inclui o Transtorno do Deficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Desafiador de Oposição (TDO), são os problemas de saúde mental mais comuns em crianças e adolescentes. O TDAH é definido por baixa atenção e tendência à distração; baixo auto-controle, impulsividade e hiperatividade. Já o TDO é definido como “um patrão de comportamento negativista, hostil e desafiante, sem as violações mais sérias dos direitos básicos de outros vistas no transtorno de conduta”. Os sintomas do TDO incluem “desafiar ativamente, ou recusar-se a obedecer com frequência as ordens e regras dos adultos” e “discutir frequentemente com adultos”.
O psicólogo Russel Barkley, uma das grandes autoridades da saúde mental mainstream em TDAH, diz que os que padecem deste mal têm déficits no que chama de “comportamento regrado”, já que são menos obedientes às regras das autoridades estabelecidas e menos sensíveis às consequências positivas ou negativas. Pessoas jovens com TDO também têm, segundo as autoridades do mainstream, os tão falados déficits em comportamento regrado. Por isso é tão comum, entre jovens, um “duplo diagnóstico” de TDAH mais TDO.
Realmente queremos diagnosticar e medicar todos os que têm “déficit em comportamento regrado”?
Albert Eisnten, quando jovem, teria provavelmente recebido um diagnóstico de TDAH, e talvez também de TDO. Ele não prestava atenção em seus professores, fracassou duas vezes nos exames de admissão à escola secundária e tinha dificuldades em conservar empregos. No entanto, Ronald Clark, um biógrafo de Einstein (Einstein: The Life and Times), sustenta que seus problemas não provinham de déficits de atenção, mas de seu ódio à disciplina autoritária, prussiana de suas escolas. Einstein dizia: “Os professores da escola primária pareciam-me sargentos e os do ginásio eram como tenentes”. Aos 13, ele leu o difícil Crítica da Razão Pura, de Kant – por estar interessado no livro. Clark também conta que Einstein recusava-se a se preparar para os exames de admissão ao ensino médio: era uma forma de rebelião contra o “intolerável” caminho exigido por seu pai, rumo a uma “profissão prática”. Depois que ele finalmente ingressou, um professor disse-lhe: “Você tem um defeito: ninguém pode te dizer nada”. As características particulares de Einstein, que tanto espantavam as autoridades, eram exatamente as que lhe permitiram destacar-se.
Para os padrões atuais, Saul Alinsky, o legendário organizador social autor de Regras para Radicais, teria sido certamente diagnosticado com um ou mais transtornos disruptivos. Rememorando sua infância, ele afirmou: “Eu nunca pensava em caminhar na grama até que via uma placa dizendo: ‘Não pise na grama’. Então, eu sapateava em cima dela”. Alinsky também recorda de uma ocasião, quando tinha 10 ou 11 anos, e seu rabino ensinava-lhe hebraico.
“Certo dia, li três páginas sem erros de pronúncia, e de repente uma moeda caiu sobre a Bíblia… No dia seguinte, o rabino voltou e me pediu para começar a ler. Simplesmente sentei em silêncio, recusando-me. Perguntou-me por que estava tão quieto e respondi: ‘Desta vez, é uma nota ou nada’. Ele começou a me bater”.
Muitas pessoas com ansiedade severa e ou depressão também são anti-autoritárias. Uma grande dor em suas vidas, que alimenta sua ansiedade e ou depressão, é o temor de que o desprezo a autoridades ilegítimas as torne social e financeiramente marginalizadas. Porém, também temem que a obediência a tais autoridades cause-lhes morte existencial.
Também empreguei muito tempo com pessoas que, numa época de sua vida, tiveram pensamentos e comportamentos bizarros a ponto de serem assustadores, para suas famílias e para si mesmas. Tinham diagnósticos de esquizofrenia e outras psicoses, mas se recuperaram e desfrutaram, por muitos anos, vidas produtivas. Neste grupo, nunca encontrei ninguém que não considerasse um grande anti-autoritário. Assim que se recuperaram, aprenderam a direcionar seu anti-autoritarismo para fins políticos mais construtivos – inclusive a reforma do sistema de saúde mental.
Muitos anti-autoritários que em fases anteriores de suas vidas tiveram diagnósticos de doenças mentais relatam que, ao serem rotulados como pacientes psiquiátricos, entraram num dilema. Autoritários exigem, por definição, obediência sem questionamentos. Por isso, qualquer resistência a seus diagnósticos e tratamentos causa enorme ansiedade em profissionais de saúde mental com este tipo de postura; e médicos que se sentiam descontrolados rotulavam estes pacientes como “refratários a tratamento”, expandindo a severidade do diagnóstico e entupindo-os de medicação. Às vezes, isso enraivecia de tal modo os anti-autoritários que sua reação os fazia aparecer ainda mais assustadores para suas famílias.
Há anti-autoritários que usam drogas psiquiátricas para ajudá-los a funcionar. Ainda assim, frequentemente rejeitam as explicações das autoridades psiquiátricas sobre quais são suas dificuldades. Podem, por exemplo, tomar Adderall (uma anfetamina prescrita para TDAH). Mas sabem que seu problema de atenção não resulta de um desequilíbrio bioquímico do cérebro, mas de um trabalho enfadonho. Da mesma forma, muitos anti-autoritários submetidos a ambientes muito estressantes podem ocasionalmente tomar benzodiazepínicos como Xanax. Pensam que seria mais seguro usar maconha, mas os testes de drogas existentes nas empresas a detectariam…
Minha experiência sugere que muitos anti-autoritários rotulados com diagnósticos psiquiátricos não rejeitam todas as autoridades, mas apenas aquelas que avaliam como ilegítimas. Ocorre que nessa categoria poderia ser enquadrada boa parte das autoridades, em nossa sociedade…
Agindo para manter o Status Quo
Os norte-americanos têm sido convencidos a considerar desatenção, raiva, ansiedade e desespero imobilizante como condições médicas – e a procurar tratamento farmacológico, em vez de soluções políticas. Haveria meio melhor de manter o status quo do que ver em tais reações problemas de quem está mentalmente enfermo – e não atitudes normais, diante de uma sociedade cada vez mais autoritária?
A realidade é que a depressão está altamente associada com dores sociais e financeiras. É muito mais provável tornar-se deprimido quando você está desempregado, subempregado ou em dívida (ler “400% Rise in Anti-Depressant Pill Use”). E é inegável: crianças rotuladas como portadoras de TDAH prestam atenção quando estão sendo recompensadas, ou quando uma atividade é nova, desperta seu interesse ou foi escolhida por elas (documentado em meu livro Commonsense Rebellion).
Numa idade das trevas anterior, as monarquias autoritárias associavam-se às instituições religiosas. Quando a humanidade superou esta fase e abriu-se o Iluminismo, houve uma explosão de energia. Muito da revitalização tinha a ver com arriscar-se diante de instituições autoritárias e corruptas; e com reconquistar confiança na própria mente. Vivemos uma nova era de trevas: mudaram apenas as instituições. Os EUA necessitam desesperadamente de anti-autoritários para questionar, desafiar e resistir às novas autoridades ilegítimas; e para reconquistar confiança em seu próprio senso comum.
Em todas as gerações, há autoritários e anti-autoritários. Embora seja incomum, na história dos EUA, que os anti-autoritários adotem ações efetivas, capazes de inspirar os demais à revolta que resulta em mudanças, de vez em quando um Tom Paine, Crazy Horse ou Malcolm X aparece. Então, os autoritários marginalizam financeiramente quem resiste ao sistema, criminalizam o anti-autoritarismo, psico-diagnosticam os anti-autoritários e produzem drogas de mercado para sua “cura”.
–
Bruce E. Leving (site: www.brucelevine.net) é psicólogo clínico nos EUA, há cerca de três décadas. Conhecido por suas posições anti-hegemônicas, escreve e debate sobre as intersecções entre Sociedade, Política, Cultura e Psicologia. É autor, entre outros livros, de Commonsense Rebellion (2003), Surviving America Depression Epidemic (2007) e Get Up, Stand Up: Uniting Populists, Energizing the Defeated, an Battling the Corporate Elite (2011).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Para o bem da nação ou um teste para cardíaco.

Foi o professor Hariovaldo quem deu a letra... Fico aqui pensando sobre essa gente que é real, que existe no Brasil e no mundo, é uma beleza! Mulheres de bem que possuem opiniões contundentes e lúcidas sobre o melhor para a nação. Prepare o saquinho de vômito e boa sorte.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dignidade a saúde mental

Somos contra a Privatização do Água Funda
Somos trabalhadores do CAISM da Água funda, somos trabalhadores do SUS, da saúde mental e há anos lutamos para efetivar as conquistas da reforma sanitária e da reforma psiquiátrica. Falamos também por milhares de usuários que já atendemos e por toda uma história de respeito à dignidade da pessoa em sofrimento psíquico. Falamos também pelos movimentos sociais e por todos que defendem os direitos humanos e são contra políticas de higienização social como a internação compulsória.
Aqui neste Centro de Saúde Mental – CAISM da Água Funda – Dr. David Capistrano da Costa Filho, o melhor do Brasil avaliado pelo Ministério da Saúde, esta em vias de acontecer um grande ataque à saúde das pessoas, ao serviço e a política de saúde mental, aos trabalhadores e aos usuários do SUS.
Articulado pelo defensor do “manicômio álcool e drogas” Ronaldo Laranjeira e pelo “privatizador” Alckmin estão acontecendo a “venda” do CAISM Água Funda através da privatização via o modelo de Organização Social (OS) para administração de Laranjeira e sua entidade. Vão transformar um Centro de excelência em saúde mental em um centro de internação álcool e drogas para atender as demandas de “higienização social” absurda que se quer promover com a chegada dos grandes eventos. Vão acabar com serviços e dizer que estão criando serviços
Somos contra a qualquer forma de privatização, mas o grande absurdo é que eles vão acabar com um serviço de excelência de saúde mental que segue estritamente a política da reforma psiquiátrica da Lei Paulo Delgado, com serviços como CAPS, 30 pacientes em residência terapêutica que vão ser “jogados” em qualquer lugar, um programa que é o único serviço do estado que atende comorbidade em saúde mental e dependência química, com profissionais qualificados e com atendimento inteiramente humanizado dialogando com as diversas redes do território.
Os trabalhadores e usuários estão indignados e assim como os diversos movimentos internacionais, dos indignados da Espanha, dos estudantes do Chile, do ocupe Walt Street dos Estados Unidos, nós vamos lutar pelo que acreditamos, pelo nosso trabalho e pela nossa história. Fazendo a luta política, jurídica e principalmente fazendo a luta nas ruas.
Em defesa da reforma sanitária e da reforma psiquiátrica:
Somos contra a mercantilização da saúde
Somos contra a privatização do Água Funda
Somos contra o “despejo” e a desassistência em saúde promovida por esta política
Em breve calendário de Lutas
Por favor divulguem ao máximo!
Comissão de mobilização em defesa do Água Funda
Informações, apoios e contato:
Paulo Spina
(11) 73734783

terça-feira, 20 de setembro de 2011

domingo, 28 de agosto de 2011

Para não virar lenda

Por Gabriela Pessoa e Lucas Campacci

O sobradinho vermelho no número 702 da Rua Wanderley, em Perdizes, passa quase desapercebido entre as construções vizinhas, de arquitetura semelhante. Tal condição talvez diga muito sobre as atividades que aconteciam lá dentro. Naquele espaço, funcionou até 3 de junho de 2011 a Casa do Saci, que envolve empreendimentos de geração de renda criado por trabalhadores e usuários do sistema de saúde mental e que oferece a possibilidade de transpor a barreira entre o isolamento provocado pela doença e o convívio em sociedade.

O Saci integra a Associação Vida em Ação (AVA), fundada em 2004 no contexto das discussões sobre o Fórum Paulista da Luta Antimanicomial, movimento cuja principal bandeira é o fim dos hospitais psiquiátricos. Fixou-se na Wanderley em 13 de março de 2010, onde funcionavam o Bar Saci, a Lojinha do Saci, a Livraria Louca Sabedoria e a sede da AVA.

Ao todo, 12 trabalhadores do Bar dividiam-se nas tarefas da casa, seguindo os princípios da economia solidaria, isto é, autogestionada, com a produção centrada no bem-estar dos trabalhadores. Ao final de cada mês, o excedente monetário era calculado da maneira mais simples, com uma conta de subtração entre gastos e ganhos. “O que sobrava a gente dividia igual para todo mundo, de acordo com as horas trabalhadas”, conta Marilia Capponi, psicóloga e uma das coordenadoras do Saci.

Um dos trabalhadores mais antigo do projeto, Didous Danilevicz defende a importância do Saci como uma “ponte” entre a internação em hospitais psiquiátricos e “o mundo”: “Aqui a
gente pode errar. Lá fora, não”.

A maior fonte de renda da casa era o Bar do Saci, “um bar como qualquer outro”, conta Camila Miranda. E, como qualquer estabelecimento, sofreu com os altos e baixos do público. “O Saci era cheio no começo e aos poucos esse movimento foi caindo”, lamenta. À queda do faturamento, somaram-se as reclamações dos vizinhos, com queixas da música alta e do movimento na rua. “A casa antes era ocupada por estudantes e músicos, que faziam muito barulho. Então eles [os vizinhos] já vieram com preconceito, nem quiseram saber o que a gente era”, explica Marilia. Ela se recorda de um café promovido pelo coletivo a fim de apresentar a casa aos moradores da Wanderley: “Simplesmente não foram, olhavam a gente com repulsa”. Os dois vizinhos mais próximos foram procurados pela reportagem. Um deles não atendeu à campainha e o outro disse que o dono da casa não estava. A pressão dos vizinhos se reverteu no preço do aluguel. De acordo com Capponi, a proprietária do imóvel Maria Lopes da Silva não queria mais reclamações, aumentando o
valor da locação de 1200 para 2000 reais. “A gente chorou e foi para 1800”, conta. Marcos Fincati, advogado da locadora, disse que ela agora pede R$ 2300 pelo imóvel, devido à valorização do bairro. Ele não quis dar mais informações sobre a cliente, nem o contato dela. A conta do Saci não fechava mais e no final não sobrava dinheiro para pagar os trabalhadores. “Como podíamos permanecer num projeto de geração de trabalho sem gerar renda para os trabalhadores? Vai contra o principio lógico”, desabafa Marilia.

Além do espaço de confraternização, muitos também perderam grande parte de sua fonte de renda. É o caso de Risonete Costa, mãe de uma garota de 13 anos e afastada de uma multinacional devido a seu sofrimento psíquico grave. Esforçou-se para voltar ao antigo emprego, mas não conseguiu se adaptar. “No Saci eu consigo trabalhar e conviver com as pessoas, sem estar presa a um projeto dentro do CAPS ou em um hospital”, diz.

A Casa do Saci se despediu da Wanderley no dia 3 de junho de 2011, numa festa com 150 pessoas. Dentre os convidados, os frequentadores de sempre: jovens, militantes do movimento antimanicomial, estudantes de psicologia e usuários do sistema de saúde. Todos juntos, dividindo os cinco cômodos do sobradinho, sem as fronteiras que dariam margem ao preconceito.

A festa acabou e, agora, o Saci se equilibra do jeito que dá: seus pertences estão guardados nas casas de alguns trabalhadores e a maior parte está em Box pago pelo Sindicato Paulista de Psicologia. Às terças-feiras, o ex-vizinho Instituto Sedes Sapientiae (esquina da Wanderley com a Ministro Godoi) sedia provisoriamente as reuniões do grupo, enquanto o coletivo procura outro espaço.

Saiba mais Casa do Saci

domingo, 31 de julho de 2011

Minhas reverências.


ESTAMIRA, PRESENTE!
Curitiba - 28/07/11

Ontem a tarde (27 de julho de 2011) Estamira Gomes de Souza, mulher negra da classe trabalhadora, catadora de lixo no Aterro do Gramacho (Rio de Janeiro) nasceu ao contrário. Tinha 72 anos e morreu cansada, mal cuidada e principalmente: não ouvida (paradoxalmente tão escutada no mundo inteiro). A protagonista do filme que leva seu nome, dirigido por Marcos Prado e lançado em 2004 agonizou por horas no Hospital Miguel Couto, na Gávea, desassistida pelo SUS e incapaz – como a imensa maioria dos trabalhadores – de comprar sua assistência em um hospital particular.
Os trocadilos apontam que a razão de sua morte se chama 'septicemia', uma infecção generalizada. Poderiam dizer que por ter transtornos mentais, Estamira deveria ter sido assistida em um asilo, ou um hospital/hospício psiquiátrico para que de lá não saísse e morresse em paz, longe do lixo, das moscas, longe da família, longe daquele mar que lhe era tão importante. Do outro lado, os que acreditam cegamente nos governos, acreditam que a construção da rede de atenção psicossocial substitutiva à lógica manicomial está consolidada, amplificada e atuante. Não desconsideramos os avanços da instalação da rede, determinada pela lei 10216/2001. Mas, como Estamira nos alertou: existe esperteza ao contrário, não inocência.
De toda forma, Estamira passou sua vida em pé, trabalhando, replicando sua existência dentro dum lixão, desatenta aos levantes manicomiais de empresários-da-saúde-mental que discorrem trocadilos sobre técnicas arcaicas repaginadas, assistência integral, novos medicamentos, cuspindo cifras.. Alheia aos professores de Psicologia que passam o filme nas aulas e todos saem das salas com mal estar, surpresos, com pena. No ano que vem, uma nova turma assistirá sua história. Tudo bem: esta arte nos permite a distância, a contemplação, o não envolver-se e o não implicar-se.
Escutamos Estamira e observamos mais uma que sofre numa massa de trabalhadores negros, homens e mulheres que apodrecem todos os dias. Estamira é apenas mais uma entre os milhares de loucos da classe trabalhadora que já não valem mais nada ao sistema do capital e que por isto – e só por isto – são jogados no lixo para se confundirem ao inútil e ao descuido nos aterros e favelas do país.
O cinismo deste sistema traveste seu discurso delirante, denunciativo, agressivo e violento em “poesia”, “uma forma atípica de expressão”, “obra de arte”. Esta forma de arte não nos importa. Não queremos lembrar de Estamira apenas quando seu filme recebe mais um prêmio internacional. Acreditamos que não basta lamentar sua morte em cento e quarenta caracteres, num pio. Reivindicamos a vida e obra produzida ao longo dos dias de vida de Estamira. Com todos os seus direitos humanos negados, todos os serviços de saúde de má qualidade, sua péssima condição de moradia, seu trabalho precarizado, a educação negada. Seus e de todos os trabalhadores.
Não nos interessa a mera constatação de que algo vai errado. Interessa a luta pela efetividade da atenção à saúde mental no Brasil. Interessa a consolidação de equipes multidisplinares, a efetivação da Reforma Psiquiátrica, a redução de danos, a porta aberta nos equipamentos, a defesa intransigente de uma vida digna e sem desigualdade social para todos os trabalhadores. Lutando, honramos Estamira e todos os seus irmãos e companheiros desconhecidos, que nunca estrelarão um filme mas que também querem visitar o mar.

Estamira! Mulher negra, resistente, trabalhadora!
Presente!

César Fernandes, psicólogo militante da luta contra os manicômios e pela construção do socialismo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pare o DSM! Stop DSM!

O vídeo faz parte de um campanha internacional sobre o uso do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais). Busca uma crítica desse manual utilizado em grande parte do mundo para diagnósticos em saúde mental e educação. O principal objetivo é realizar debates e buscar práticas que respeitem mais e melhor a subjetividade principalmente de crianças e adolescentes. STOP DSM faz parte do manifesto contra a patologização da infância e pode ser acessado e melhor conhecido em http://stopdsm.blogspot.com

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Teatro italiano de "loucos" em São Paulo e ABC


Companhia italiana de “loucos” apresenta peça inspirada na reforma psiquiátrica na Itália

Accademia della Follia - Companhia italiana de “loucos de profissão e atores por vocação” apresenta o espetáculo Extravagância, interpretado em português por atores que realmente têm transtorno mental da Accademia della Follia. O espetáculo faz parte da Turnê Brasil 2011 da companhia teatral, que percorrerá várias cidades, nos meses de junho a julho. Em São Paulo, a peça será exibida em junho no dia 9, em São Bernardo do Campo, e no dia 10, na Capital. Enfoca o tema das relações humanas com e entre pacientes psiquiátricos e promove um debate com artistas, operadores e usuários de saúde mental.


Foto: Divulgação

A peça, produzida a partir de texto da escritora italiana Dacia Maraini, narra a história de cinco pacientes com problemas mentais, internados em um manicômio. Eles vivem as conseqüências da votação da Lei Basaglia: “a partir de amanhã todos em casa!” O hospital é fechado e eles voltam para suas famílias, encontrando um ambiente totalmente diverso do que esperavam: frio, sem afeto, sem interesse e compreensão. Eles não são desejados e foram até substituídos. Assim, eles retornam ao hospital, onde decidem viver do jeito deles: sem médicos, sem eletrochoque, sem chaves e ferrolhos, em uma comunidade aberta, com novas regras estabelecidas por eles próprios.


O Projeto Extravagância - Turnê Brasileira foi agraciado com a Medalha Nacional Italiana de Mérito no campo das artes, da cultura e do espetáculo, oferecida pela Presidência da República Italiana. O Projeto Extravagância - Turnê Brasileira 2011 recebeu o patrocinio da Comissão Nacional Italiana da Unesco - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.


Ficha técnica:
Texto: Dacia Maraini.
Direção e Música: Claudio Misculin
Atores: Claudio Misculin, Deborah Pettirosso, Dario Kuzma, Donatella Di Gilio, Gabriele Palmano, Giuseppe Feminiano, Giuseppe Denti, Giulia Misculin
Coprodução: Teatro Stabile del Friuli Venezia Giulia e Accademia della Follia
Direção Artística: Cinzia Quintiliani
Codireção Artística: Carmen Palumbo
Produção e Cenário: Eddie Mendes

Anote as apresentações em São Bernardo e em São Paulo:

São Bernardo do Campo
Data: 9 de junho de 2011
Horário: 19 horas
Local: Teatro Lauro Gomes
Endereço: Rua Helena Jacquey, 171 (Rudge Ramos), São Bernardo do Campo, SP
Preços: inteira R$ 40,00; meia R$ 20,00
Informações: (11) 4368 3483
www.saobernardo.sp.gov.br

São Paulo
Data: 10 de junho de 2011
Horário: 21 horas
Local: Teatro Anhembi Morumbi
Endereço: Rua Dr. Almeida Lima, 1198 (Brás), São Paulo, SP
Preços: inteira R$ 40,00; meia R$ 20,00
Informações: (11) 2872-1457/2872-1458
www.teatroanhembimorumbi.com.br

Apoio:
Conselho Federal de Psicologia
Conselho Regional de Psicologia
Istituto di Cultura Italiano
Secretaria de Saúde de SBC-SP
Grupo Dragão 7 de São Paulo - Intercâmbios Culturais
Secretaria de Cultura de SBC-SP

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Casa do Saci!

Parceir@s e frequentador@s da Casa do Saci,

Queremos compartilhar com vocês o processo pelo qual estamos passando:

Em 13 março de 2010 nós do Bar Saci, da Livraria Louca Sabedoria, da Lojinha do Saci, com o apoio da AVA (Associação Vida em Ação), inauguramos a Casa do Saci na Rua Wanderley, 702.

Ao fim de anos de trabalhos, a inauguração desse espaço foi um marco muito importante aos empreendimentos, pois enfim havia um lugar onde podíamos praticar a autogestão, trabalhar de forma solidária e cooperativa e incluir mais e mais trabalhadores em nossos coletivos.


Passados 1 ano e 3 meses neste espaço que nos trouxe mais experiência, mais pessoas interessadas em nos conhecer, parceir@s importantes e outras tantas coisas boas, esbarramos em obstáculos concretos da cidade: aumento abusivo dos valores imobiliários. Paralelo a isso, os coletivos de trabalho do espaço cresceram muito e a casinha que escolhemos há tempos atrás já não acompanhava este crescimento.


Após muitas reflexões conjuntas nós, trabalhadores da Casa do Saci, decidimos devolver as chaves da "casinha", para sair em busca de algo que nos comporte em nosso novo tamanho. Portanto, fecharemos as portas da Wanderley-702 no início de junho de 2011.


Trabalharemos muito para inaugurar em breve uma outra porta, ainda desconhecida. Cuidaremos para que o próximo espaço abranja nosso atual movimento de crescimento, tanto de trabalho quanto de parceir@s e freqüentador@s. Afinal, estamos sempre abertos para novas e boas parcerias.


Para a despedida desse endereço que nos renovou e transformou, faremos uma festa de bota fora do SACI na Wanderley-702 com a casa já vazia, no dia 03/06, sexta-feira, a partir das 20h, entrada a 10 reais. Neste dia teremos sonoplastas do SACI e cardápio específico para a festa (cerveja -lata-, refri, cachaça do saci, amendoins...). Esperamos tod@s lá!!

Enquanto não encontramos a nova chave, lembramos que nossos trabalhos itinerantes permanecem operantes: coffe-breaks, eventos, festas e outros. Contacte-nos por email e conheça o mais famoso coffe-break de que se tem notícia! barsaci@gmail.com


Para saber novidades, acompanhe-nos pela página eletrônica: www.barsaci.wordpress.com.

Contamos com a colaboração,

Equipe de trabalho


--
Bar Saci
http://barsaci.wordpress.com

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Essa é a ÚLTIMA semana de Casa do Saci na rua Wanderley, 702

(aguardem mais notícias)

* Não aceitamos cartões *

*5ª, 6ª e sábado a Casa abre a partir das 16h*

Agenda cultural da semana:
27/05 (sexta) – Festa de aniversário com música de S.D.S. - voz, violão e percussão
Das 20h às 23h.
entrada: 8 reais.

28/05 (sábado) – Última apresentação de LOUREIRO & VIANNINHA, cumpadi Adolplho e los benzedores! na rua Wanderley, 702
Das 20h às 22h
Couvert: 8 reais

29/05 (domingo) – FEIJOADA DO X - A PERNA DO SACI
COM CLODÔ BANANEIRA

Das 12h às 19h
Feijoada à vontade + música ao vivo: 25 reais

*A Casa do Saci é a sede da Associação Vida em Ação, mantenedora dos projetos: Bar Saci, Livraria Louca Sabedoria e Loja de diversos projetos da saúde mental e economia solidária.*
-
Bar Saci
http://barsaci.wordpress.com

quarta-feira, 18 de maio de 2011

18 de maio: dia da luta antimanicomial

"Para ser louco não é necessário ou obrigatório estar doente, embora em nossa cultura as duas categorias se confundam."

R. Lang

terça-feira, 17 de maio de 2011

III Prêmio “CARRANO” de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos

Gato Seco – Nos Telhados da Loucura & Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima

Apresentam




Dia 27 de maio completam-se três anos da morte de Austregésilo Carrano Bueno, dramaturgo, militante da luta antimanicomial e autor do livro “Canto dos Malditos”. Carrano se destacou como o principal militante pela Luta Antimanicomial em nosso país. Eleito em congresso na cidade de Xerém-RJ, atuou nos últimos anos como representante dos usuários na Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde, chegando a receber, em 2003, uma homenagem das mãos do presidente da república Luís Inácio Lula da Silva, por seu empenho na Reforma Psiquiátrica. Além das torturas sofridas nos “chiqueiros psiquiátricos”, como dizia, Carrano sofreu vários processos judiciais por sua militância, principalmente por parte dos familiares dos médicos responsáveis pelos “tratamentos” recebidos nas passagens pelos locais onde foi internado, confinado e torturado, ele escreveu o seu drama no livro “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de sete cabeças”, dirigido por Lais Bodanzky, o filme mais premiado do cinema brasileiro que, junto com o livro revolucionou a história da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Carrano nunca desistiu de seus ideais e continuou militando até seus últimos dias no Movimento da Luta antimanicomial, mesmo com a saúde debilitada e condições financeiras precárias, em 18 de maio de 2008, participou do Dia Nacional de Luta Antimanicomial em Belo Horizonte , vindo há falecer dias depois.

Vejam vídeos com depoimentos do Carrano:

http://www.youtube.com/watch?v=bElqEmQhpBU

http://www.youtube.com/watch?v=22Ai29O1qIo&feature=related

Neste depoimento Carano faz a leitura de seu poema “Sequelas... e... Sequelas” de abertura do livro “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de sete cabeças” (o texto do poema está ao final deste release).

O Prêmio - Para que a sua voz não se cale e seu nome continue vivo não só no Movimento de Luta Antimanicomial, como nos direitos da humanidade em geral, criamos em 2009, o Prêmio CARRANO de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos, que tem como o objetivo dar continuidade a sua luta por uma mudança nas condições de tratamento de pessoas em sofrimento mental, fazendo valer a Lei nº 10.216/2001 da reforma Psiquiátrica no Brasil, da qual foi um dos defensores e críticos. O prêmio é entregue anualmente a pessoas e instituições de ações e atitudes importantes nestas áreas, mas principalmente, denunciar quaisquer violações dos Direitos Humanos, especialmente no que se refere às pessoas nas condições de sofrimento mental. No lançamento do prêmio, premiamos Carlos Eduardo Ferreira, mas conhecido como Maicon, usuário e militante da Luta, que esteve em vários momentos ao lado de Carrano, que também foi entregue a família de Carrano.

A entrega do III Prêmio Carrano será na semana do dia nacional de Luta Antimanicomial, dia 21 de maio (próximo a data de nascimento de Carrano, 15 de maio de 1957) que conta com o apoio do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Movimento Nacional e Fórum Paulista de Luta Antimanicomial e militantes do movimento. Em 2009 criamos o coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura, que tem o papel da organização do Prêmio. O coletivo é formado por Edson Lima coordenador do projeto O Autor na Praça, Erton Moraes escritor, compositor e músico do Movimento TrokaosLixo, , Lobão, integrante do Movimento 1daSul e Sarau do Cooperifa agitador e grande amigo de Carrano, a escritora e produtora Paloma Kliss do Literatura Nômade, a psicóloga Patrícia Villas-Bôas, a poeta Tula Pilar, o músico e compositor Léo Dumont e outros amigos de Carrano. Trata-se de um grupo aberto que esta a disposição de pessoas e instituições que quiserem participar e colaborar com esta iniciativa. Além da entrega do prêmio haverá exibições de documentários, alguns depoimentos e leituras de texto sobre a Luta Antimanicomial e Direitos Humanos, no final do evento teremos uma apresentação musical com Erton Morais e integrantes da Banda Mokó de Sukata e do músico e compositor Léo Dumont. Estarão disponíveis os dois últimos livros lançados por Carrano em parceria com o selo editorial O Autor na Praça com textos de teatro: “Canto dos Malditos” e “O Sapatão e a Travesti”.


Veja um vídeo com o pronunciamento do Senador Eduardo Suplicy sobre o Prêmio em 2010:

http://www.youtube.com/watch?v=XafXh0_Idlg.

Para receber o prêmio este ano estão confirmados os nomes:
1.Alan da Rosa (Escritor, pedagogo e editor. Organiza cursos de arte-educação e cultura negra nas periferias de São Paulo).
2.Carlos Costa “Carlão” (ator de teatro, historiador do samba e do carnaval. É fundador e presidente da Banda Redonda).
3.Clara Charf (Companheira de Carlos Marighella, lutou ativamente contra a ditadura militar, é presidente da Associação Mulheres pela Paz).
4.Dom Paulo Evaristo Arns que será representado por Paulo Pedrini, coordenador da Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo.
5.Paulo César Sampaio – Psiquiatra, foi diretor do hospital de custódia de Franco da Rocha, durante 4 anos, onde desenvolveu o projeto Desinternação Progressiva. Organizou o projeto Alcoolistas autores de violências nas praças de Embu das Artes. Em 2010 Tratamento de usuários de múltiplas drogas dentro do Manicômio judiciário de Franco da Rocha. É ativista atuante em ações e atividades pela Luta Antimanicomial no Brasil.
6.Gegê (Luiz Gonzaga da Silva, integrante do Comitê “Lutar não é crime” e dos Movimento dos Trabalhadores Sem Teto da cidade de São Paulo).
7.José Ibrahim (Líder Sindical, militante contra a Ditadura Militar, foi preso e exilado político. É um dos fundadores do Instituto Zequinha Barreto e militante constante dos Direitos Humanos).
8.Lais Bodanzky (Cineasta e diretora do filme “Bicho de sete cabeças”)9.Maria Amélia Teles “Amélinha” (Militante feminista dos Direitos Humanos e integrante da Comissão de Familiares de mortos e desaparecidos políticos).
10.Raquel Trindade - Artista Plástica, pesquisadora da cultura Popular e fundadora do Teatro Popular Solano Trindade em Embu das Artes).
11.Sonia Rainho - Militante de movimentos sociais desde os anos 1970. É fundadora do Centro de Cooperação por moradia popular 1º Maio na cidade de Osasco e hoje é responsável pela Coordenadoria da mulher e promoção da igualdade Racial na prefeitura de Osasco.
12.Tia Dag - Casa do Zezinho – Fundadora e presidente da Casa do Zezinho.
13.Z’África Brasil representado por Gaspar (Grupo de Hip Hop da zona sul da cidade de São Paulo, com sua ideologia contribuem em causas sociais e de igualdade racial).

Serviço:

Entrega do III Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos

Data: dia 21 de maio de 2011, sábado, a partir das 19h.

Local: Auditório da Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima – Pinheiros – SP – Tel. 3082 5023

Realização: coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura

Apoio: O Autor na Praça, Movimento Trokaoslixo, Fórum Paulista de Luta Antimanicomial, Movimento Nacional de Luta Antimanicomial, CRP-SP, Grupo Tortura Nunca Mais, AEUSP – Associação dos Educadores da USP, CRP-SP Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Max Design, Prefeitura do Município de São Paulo / Departamento de Bibliotecas, Artver e outras entidades e instituições ligadas ao tema.

Em 2010, o II Prêmio Carrano foi entregue paras seguintes pessoas e instituições:

Casa do Saci (Espaço criado e administrado por trabalhadores e trabalhadoras, usuários e técnicos da saúde mental, organizados na Associação Vida em Ação. Saiba mais)

Senador Eduardo Suplicy

Grife Dasdoida (criada pela psiquiatra Julia Catunda, Márcia Pompemayer e usuários do CAPS Itapeva)

Grupo Tortura Nunca Mais

Luciano Santos, advogado e integrante do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral

Magrão, amigo de Carrano

Marcos Abranches, Coreógrafo

Paulo Amarante, Psiquiatra e escritor

Revista Ocas – Organização Civil de Ação Social (Maria Alice Vassimon)

Sebastião Nicomedes, escritor e coordenador de oficina na Casa Restaura-me de apoio a pessoas em situação de rua.

Toninho Rodrigues, diretor e ator de teatro

Xico Sá, jornalista e escritor.

Pequena biografia de AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO - Curitibano, escritor, ator, dramaturgo. Autor de dois livros editados: “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de Sete Cabeças” e “Textos – Teatro – Seis peças para Teatro”. O texto para teatro de sua autoria “SOS Mãe natureza”, premiado na ECO-92, foi adaptado para livro infanto-juvenil, com titulo provisório: “SOS... Os Senhores Mesquinhos estão devorando a Mãe Natureza” que não foi publicado ainda, embora Carrano tenha batido a portas de algumas editoras. Em parceria com o selo O Autor na Praça, publicou em 2007, dois livros de textos para Teatro: Canto dos Malditos e O Sapatão e a Travesti, com a renda da venda desses livros esperava publicar de forma independente uma nova edição de “Cantos dos Malditos” e seu novo romance “Filhas da Noite”, ainda não publicado.

Carrano foi Ativista do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, Membro da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Representante dos Usuários no Conselho Nacional de Reforma Psiquiátrica (Eleito no Encontro Nacional dos Usuários e Familiares em Xerém, RJ), Defensor Ferrenho das Indenizações as Vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro. Homenageado pelo Ministério da Saúde

O livro “Canto dos Malditos” deu origem ao filme mais premiado da história da cinematografia brasileira: “Bicho de Sete Cabeças”, dirigido por Laís Bodanzky, recebeu 45 prêmios nacionais e 08 prêmios internacionais, ao todo são 53 prêmios conquistados. O trabalho de Carrano foi reconhecido nacional e internacionalmente, envolvendo a questão da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Como ele exigia e defendia: “Temos que ter uma nova visão e maneira de tratarmos, sem preconceitos, respeitando seus direitos de cidadão, e aceitando o diferente que se encontra em sofrimento mental. Um basta definitivo no confinamento, sedação e experiências com cobaias humanas. Confinar não é tratar, é Torturar, portanto, são crimes psiquiátricos que devem ser cobrado responsabilidades e serem pagas indenizações as Vítimas”.

“(...) Ainda espero ser indenizado pelas torturas psiquiátricas sofridas, pela minha condenação aos preconceitos sociais, danos físicos, emocionais, morais, danos na minha formação profissional, danos financeiros, destruição de minha adolescência. E esses meus direitos de cidadão serão cobrado até o fim dos meus dias. Se não conseguir em vida, algum dos meus filhos fdicará com essa incumbência. Justiça plena e total é o que exijo, e mesmo depois de morto continuarei a exigir. Não só para mim, exijo essas indenizações para todas as vítimas do holocausto da psiquiatria brasileira, não desistirei por nada nem que leve o resto da minha vida ” (Texto de Carrano no posfácio da última edição do livro Canto dos Malditos)

SINOPSE do livro Canto dos Malditos - História real do período que o autor passou confinado por três anos e meio em instituições psiquiátricas do Paraná e Rio de Janeiro, dos 17 até 21 anos. Sofrendo torturas, e as mazelas de um sistema manicomial brasileiro arcaico, confinador, estigmatizante, e que chamam de “tratamento psiquiátrico”. Sobreviveu a 21 aplicações de Eletroconvulsoterapia; choques numa voltagem de 180 a 460 volts aplicados nas temporas. O livro foi escrito não com a intenção de denegrir a imagem de médico psiquiatra algum, e sim é um relato fiel a que são submetidos os pacientes psiquiátricos dentro dos manicômios.

Homenageado pelo Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 28 de maio de 2003, pelo seu empenho na Reforma Psiquiátrica, que está sendo construída em todo o Brasil; Porém, todo esse empenho e reconhecimento, têm-lhe cobrado um grande preço, na sua terra natal. Em Curitiba, um Lobby de Psiquiatras, contrários às ideologias de Carrano, e do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, são eles, opositores ferrenhos a Reforma Psiquiátrica no Brasil. Esses Empresários da Loucura, donos e associados dos hospitais psiquiátricos, fizeram perseguições indecentes, constantes e aviltantes, lançou a 1ª edição do livro em 1990, pela Scientia et Labor, Editora da Universidade Federal do Paraná. Dias após o lançamento, o livro foi retirado das livrarias a mando desse Lobby de Psiquiatras. Só voltando a ser publicado em 1991, pela Editora Lemos, de São Paulo, Carrano comprava a edição e a vendia em seminários, palestras, feiras culturais, entre elas uma em um Shopping da cidade, por onde chegou as mãos da diretora do filme Laís Bodanszky. Chegou a publicar e bancar sete edições do livro sem ser vendido em livrarias.

Em 13 de maio de 1998, Carrano entrou com a “1ª Ação Indenizatória” por erro, tortura e crime psiquiátrico no histórico forense brasileiro. Até sua morte em maio 2008, uma de suas rotinas foi responder a processos jurídicos de todos os tipos, até um processo que exige que ele se calasse, proibindo-o de falar de sua experiência dentro dos chiqueiros psiquiátricos que foi torturado. As Perseguições judiciais que recebia, eram repudiadas pela sociedade brasileira, causando indignação em ongs nacionais e internacionais de Direitos Humanos. O livro “Canto dos Malditos” foi cassado, retirado novamente das livrarias e proibido em todo o território nacional, em abril de 2002. Da primeira Ação Indenizatória por erro, tortura e crime psiquiátrico no Brasil, de vítima virou réu, em maio de 1999 foi condenado a pagar R$ 60.000.00 aos donos dos “Chiqueiros Psiquiátricos” do qual foi vítima. Entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Em novembro de 2003 foi condenado novamente a pagar mais R$ 12.000.00 em vinte e quatro horas, por citar os nomes dos hospícios e dos médicos na imprensa, por estas citações chegou a receber ameaças de morte. Na sentença desse processo seu direito de livre expressão foi cassado, foi proibido de falar o nome de seus torturadores em público, com uma multa de R$ 50.000.00 a cada desobediência jurídica. Julgado pelo Judiciário Paranaense, de Vítima da Tortura Psiquiátrica se tornou Réu por denunciar, exigir mudanças radicais, indenizações, cobrança de responsabilidades dos profissionais dessa falsa psiquiatria que confina, droga e mata pessoas em suas casas de extermínios, os “chiqueiros psiquiátricos” brasileiros. Pagou o preço por enfrentar essa Máfia do Inconsciente, donos exclusivos e ditadores do “Saber Psiquiátrico!”.

Tentaram o calar a todo custo. Foi sem dúvidas um artista, revolucionário, guerreiro da Luta Antimanicomial e dos Direitos Humanos e um dos mais batalhadores por estas causa no Brasil. Conseguiu, bancando sozinho o trabalho de seu advogado na liberação do seu livro “Canto dos Malditos” , depois de dois anos e meio cassado e retirado de todas as livrarias brasileiras, não contou com nenhum apoio da editora da época. “Canto dos Malditos” foi dos poucos livros proibidos depois do fim da Ditadura Militar. Voltou às livrarias em setembro de 2004, com um posfácio mais picante, denunciando os crimes psiquiátricos e também as fortunas psiquiátricas ilícitas. Cobrando, exigindo “Indenizações” imediatas às Vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro... A Luta pelos Direitos Sociais de nós “Vítimas Psiquiátricas”, está apenas começando, agora que a cobra vai fumar!... Afirmava Carrano.

Sequelas... e... Sequelas

Seqüelas não acabam com o tempo. Amenizam. Quando passam em minha mente as horas de espera, sinceramente, tenho dó de mim. Nó na garganta, choro estagnado, revolta acompanhada de longo suspiro.

Ainda hoje, anos depois, a espera é por demais agonizante. Horas, minutos, segundos são eternidade martirizantes. Não começam hoje, adormeceram a muito tempo, a muito custo... comigo. Esta espera, Oh Deus! É como nunca pagar o pecado original. É Ser condenado a morte várias vezes.

Quem disse que só se morre uma vez?

Sentidos se misturam, batidas cardíacas invadem a audição. Aspirada a respiração não é... é introchada. Os nervos já não tremem... dão solavancos. A espera está acabando. Ouço barulho de rodinhas. A todo custo, quero entrar na parede. Esconder-me, fazer parte do cimento do quarto. Olhos na abertura da porta, rodam a fechadura. Já não sei quem e o que sou. Acuado, tento fuga alucinante. Agarrado, imobilizado... escuto parte de meu gemido.

Quem disse que só se morre uma vez?

(Austregésilo Carrano Bueno – Poema das quatro horas de espera para ser eletrocutado – aplicação da eletroconvulsoterapia). Veja vídeo do Carrano declamando o poema:

http://www.youtube.com/watch?v=bElqEmQhpBU

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

IV Feira de Saúde Mental e ECOSOL


A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária realiza a IV Feira de Saúde Mental e ECOSOL no dia 18 de dezembro. A Feira começa às 11 horas na Escola de Enfermagem da USP e contará com apresentações culturais, tenda cultural com exposições e livraria, espaço de formação, praça de alimentação e diversidade de produtos artesanais. Tudo produzido nos projetos e empreendimentos econômicos e solidários da Saúde Mental.
Nesse Natal presenteie seus familiares, amigos, namoradas (os) com nossos produtos!! Venha se divertir e, neste Natal, pratique o consumo consciente e fortaleça o Comércio Justo e Solidário.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Carta de um pai que não internou seu filho

Por Fabiana Leite

Conheci a história de Geraldo e André Peixoto há seis anos, durante reportagem de balanço da reforma psiquiátrica. André teve o primeiro surto, sinalizador da esquizofrenia, na passagem para a idade adulta. O pai, Geraldo, horrorizado com os grandes hospitais psiquiátricos por onde André passou, o retirou de lá, mudou a vida, trocou a carreira de executivo pela de professor de natação para ficar ao lado do filho. Nesses anos, tornou-se um militante do direito dos pacientes de não serem trancafiados em hospitais e clínicas, mas acolhidos por serviços ambulatoriais e pela comunidade.

Na primeira entrevista, Geraldo me surpreendeu por não esconder as agruras de viver com uma pessoa com uma doença psiquiátrica. Não dourava a pílula. Mas defendia com carinho sua escolha, com espaço para a leveza _como a história de um amigo da família, também portador de esquizofrenia, que insistia ser uma águia. Geraldo o acolhia como um pássaro. Naquela época, André não estava bem, os médicos não acertavam o remédio. Tentamos fazer uma foto de ambos, mas André não quis.

Coincidentemente, meses depois, encontrei Geraldo durante uma “blitz” dos conselhos de psicologia e do Ministério Público em grandes unidades psiquiátricas que ainda persistem em diversas partes do País. Em uma das instituições, lá estavam pacientes amarrados, sem roupa. Um deles perguntou a Geraldo se era “papai noel” (por causa da barba branca) e pediu: “alta”!

Depois de o poeta Ferreira Gullar chamar a lei da reforma psiquiátrica de “idiota” e de defender a internação dos filhos, quis ouvir novamente a opinião de Geraldo (você pode conhecê-la aqui). Seguiam vivendo juntos. Sugeri novamente a foto de ambos. André estava cada vez melhor, disse o professor. Cuidava do pai. Estava cada vez mais companheiro, relatou Geraldo. E a foto deu certo.

Há cerca de uma semana, André, que tinha 47 anos, morreu vítima de um infarto do miocárdio fulminante, em casa, ao lado do pai. Compartilho com vocês, com autorização do autor, trechos da carta que Geraldo enviou a centenas de amigos e apoiadores:

Há exatamente sete dias, nesta mesma hora, André, meu filho querido, morreu. Tudo começou e terminou comigo. Muitos, sequer o conheciam. Outros, o conheceram, e outros, até o acampanharam e cuidaram dele. Estas pessoas ficaram, indelevelmente, imarcadas em nossa memória.

André nasceu duas vezes, uma, de Wilma, sua mãe, e a outra, de mim, quando o assumi, depois de retirá-lo de um hospital psiquiátrico. Portanto, sinto-me fiador de todo esse querer bem, que vocês todos têm demonstrado por ele.

Tive um privilégio, uma graça por viver junto dele essa experiência, absolutamente fantástica, nestes vinte e cinco anos, desde o dia em que o retirei de um hospital psiquiátrico, até aquele momento, em que o vi, estendido no sofá da minha sala. Ele foi o meu grande mestre, mostrou-me o caminho, o caminho que ele percorreu e que, apesar da violência das crises e, das crises de violência, foi paradoxalmente, delicado e extraordinário. A experiência foi “humana, demasiadamente humana”. Fui atirado à correnteza da vida e da psicose, deixando-me levar sem resistência, aceitando e usando-a a meu favor, sabendo, como bom nadador, que se não o fizesse, iria , apenas, me exaurir. A correnteza, agora queridos amigos, se diluiu, se desfez, deixando-me nadar livremente. A vida foi maravilhosa comigo, por ter-me permitido esse encontro.

Valeu a pena, garoto! Valeu muito a pena!

André vive! Ontem, André era o meu objetivo – hoje, deixou de ser, pois eu o carrego comigo…

Obrigado, obrigado, obrigado…

Geraldo

Fabiane Leite é repórter da área de saúde desde 1999, dedicada principalmente à cobertura de temas de interesse da saúde pública e dos planos privados de saúde. Trabalhou no Jornal da Tarde, Folha Online, Folha de São Paulo e atualmente é repórter da seção Vida do jornal O Estado de São Paulo. Acredita que a saúde é o princípio básico para a felicidade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

II Congresso Brasileiro de Saúde Mental

O campo da saúde mental vem enfrentando uma variedade de desafios; entre eles, a necessidade de integração e operacionalização dos novos serviços substituindo ao modelo assistencial tradicional e de uma interação entre a prática e as áreas de conhecimento que compõem o sistema de saúde como um todo.
No âmbito científico o campo da saúde mental é tradicionalmente fragmentado e socialmente representado, por especialidades clássicas como Psiquiatria, Psicologia, Enfermagem Psiquiátrica, Terapia Ocupacional e Serviço Social. Novos atores sócio-profissionais estão presentes neste campo, entre eles a Educação Física, a Pedagogia, as Artes Plásticas e a Fisioterapia, além de outros setores, como sistemas de Educação, de Cultura e de Justiça. São ainda atores sociais importantes na área da saúde mental os movimentos sociais como o Movimento da Reforma Psiquiátrica e o Movimento da Luta Antimanicomial e os movimentos artísticos.
Estes desafios têm sido amplamente reconhecidos no contexto dos vários dispositivos de desenvolvimento do campo da Saúde Mental.
Portanto, a realização do II Congresso Brasileiro de Saúde Mental é uma iniciativa amadurecida e plenamente legitimada. O evento tem o potencial de promover, historicamente, as aproximações necessárias dos diversos atores sociais, usuários, familiares, profissionais, acadêmicos e artísticos que fazem deste campo de práticas e saberes um dos mais vibrantes no âmbito do Sistema Único de Saúde. Desta forma a realização do II CONGRESSO BRASILEIRO DE SAÚDE MENTAL atende a uma necessidade na perspectiva da consolidação de um sistema de saúde, que tem como princípios a integralidade, a universalidade de acesso e a descentralização.

http://www.saudemental2010.com.br/index2.php

quarta-feira, 10 de março de 2010

Inaugura a Casa do Saci!


Desde 2004 a Associação Vida em Ação apoia e desenvolve projetos de inserção no trabalho de usuários de saúde mental. O Bar Saci veio se consolidando como uma estratégia que atua por fora dos equipamentos públicos de saúde mental, gerando trabalho, renda e sociabilidade para os usuários. Depois, de muito trabalho, conseguimos realizar um sonho: Temos a nossa Casa!
A Casa do Saci, além de Sede do Vida em Ação, será um espaço de promoção da cultura antimanicomial e da economia solidária. A Casa será um Bar + Café + Loja, com diversos produtos de projetos/ empreendimentos de trabalho da saúde mental e também a Livraria Louca Sabedoria.

Venha nos conhecer e fortaleça uma Outra Economia!

Funcionaremos de quarta a sabado das 16h as 24h.

www.barsaci.wordpress.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Encontro

IX Encontro Nacional de Usuários e Familiares da Luta Antimanicomial e VIII Encontro Nacional da Luta Antimanicomial
Reforma Psiquiátrica: a revolução na comunidade! É hora de afirmar!
De 26 a 29 de Novembro de 2009
São Bernardo do Campo
Região do Grande ABCDMRR - SP

Inscrições:
http://www.osdevoltaparacasa.org.br/

Informações:
http://br.mc343.mail.yahoo.com/mc/compose?to=osdevoltaparacasa@uol.com.br
Tel.: 11 4455-0825

Aviso aos Núcleos da Luta Antimanicomial: ainda há vagas subsidiadas para alimentação e hospedagem!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pensar a Saúde Mental

BENEDETTO SARACENO, DIRECTOR DE SALUD MENTAL DE LA ORGANIZACION MUNDIAL DE LA SALUD
El especialista italiano advierte que en la Argentina “hay un exceso de camas psiquiátricas”. Destaca los modelos de Brasil y Chile, donde hay menos internaciones y más atención ambulatoria. Propone crear una red de atención comunitaria.

Por Pedro Lipcovich
“Hoy la OMS dice claramente: manicomios, nunca más”, advierte Benedetto Saraceno, director del Departamento de Salud Mental de la Organización Mundial de la Salud. El destacado especialista italiano, en un breve viaje a Buenos Aires, explicó a Página/12 que la “desmanicomialización –fue la palabra que eligió, en su perfecto castellano– forma parte del discurso aceptado en salud pública”. Saraceno destacó el ejemplo de dos países. Uno es Brasil, donde “en los últimos quince años cayó la cantidad de camas en los manicomios, mientras subía la cantidad de centros ambulatorios en salud mental, en el marco de una política sostenida por gobiernos de distintos signos partidarios”. El otro es Chile, donde también “cayeron las internaciones psiquiátricas, mientras subía la presencia de la salud mental en las salas de atención clínica”. En cambio, “en la Argentina hay un exceso de camas psiquiátricas”, señaló el jefe de salud mental de la OMS. Saraceno destacó la necesidad de que, en las reformas, participen los pacientes psiquiátricos, “porque ellos son los que mejor saben cuáles son los problemas en la atención”.

–¿Cómo evalúa la situación actual, en el mundo, en el orden de la enfermedad mental y sus instituciones?
–Hoy la idea de que la atención a las enfermedades mentales no puede centrarse en hospitales psiquiátricos no pertenece ya a una minoría innovadora, sino que forma parte del pensamiento de la salud pública en muchísimos países; es parte del discurso aceptado por la salud pública. Hace treinta años, la OMS no tenía una actitud tan clara y tajante. A partir de su Informe de 2001, la OMS dice claramente: manicomios, nunca más.

–¿Cuál es el modelo que, en cambio, hoy reconoce la OMS?
–La salud mental no se hace en manicomios, sino con fuerte inversión en salud mental comunitaria y en atención primaria, y poniendo en primer lugar los derechos ciudadanos de los pacientes. Hace treinta años había “esquizofrénicos argentinos”, o de cualquier nacionalidad; hoy hay argentinos que tienen esquizofrenia. No estoy jugando con las palabras, sino refiriéndome al hecho de que cualquier persona, cualquiera sea el tipo de discapacidad que pueda sufrir, es primero un ciudadano. Primero, tiene derechos y, después, una discapacidad.

–¿Cómo este cambio de paradigma se expresa en distintos países?
–Este discurso, tan aceptado, no se implementa en todo el mundo. Hay mucha heterogeneidad. No me voy a centrar en Europa, donde, desde las décadas de 1970 y 1980, primero Italia y España, después Inglaterra, Escocia, Irlanda, Portugal y otros países encararon la desinstitucionalización. También países en vías de desarrollo avanzaron mucho, y en algunos casos no se limitaron a tomar modelos de otros países, sino que los construyeron a partir de su propia realidad. Un caso es el de Brasil, que hace quince o veinte años tenía una población manicomial enorme y con un aspecto particularmente dramático, que era la presencia de manicomios privados, sin supervisión del Estado.

–¿“Manicomios privados”? ¿Se refiere a clínicas de internación psiquiátrica, como las hay en la Argentina?
–Clínicas donde el Estado pagaba una cuota diaria por cada paciente: el Ministerio de Salud de Brasil empezó por evaluar la calidad de esos lugares; si no era buena, cortaba los fondos. En todo caso, la naturaleza misma de estas instituciones las lleva a defender el sistema manicomial. Dentro del sistema público, es más fácil movilizar los fondos, que pueden trasladarse desde la cama psiquiátrica hacia la comunidad. Al dueño del lugar privado de internación nunca le conviene que vayan recursos a la comunidad, porque su interés es mantener un alto número de pacientes para garantizar su interés económico.

–¿Cómo fue la reforma de la salud mental en Brasil?
–Brasil, en quince años, bajó en forma impresionante la cantidad de camas en manicomios. Al mismo tiempo, la cantidad de centros de atención psicosocial (CAPS) subió desde 80 a más de mil: la baja en la población manicomial fue correlativa con el aumento en los recursos de salud mental comunitaria financiada por el sector público. Brasil en esto mostró un liderazgo en América latina y, diría también, en el mundo.

–¿Qué más configuró el modelo brasileño?
–Una característica específica de Brasil es la involucración de los usuarios de los servicios. He visto reuniones organizadas por el Ministerio de Salud, en Brasilia, con presencia de centenares de usuarios que llegaban en buses financiados por el Estado. Los usuarios no sólo participaban en las discusiones, sino también en las votaciones: era una democratización del proceso de reforma. Y esa reunión fue hace varios años, cuando el partido que gobernaba era otro: la lucha antimanicomial en Brasil se sostuvo con distintos gobiernos, más conservadores o más progresistas. Esto es un factor muy importante.

–¿Qué otro país ofrece enseñanzas?
–Chile, donde hubo una notable disminución de camas psiquiátricas, con gran fortalecimiento de la red comunitaria. Una característica propia de este país ha sido la gran inversión y desarrollo de la atención primaria de la salud en general. Uno de sus aspectos es que los profesionales que hacen atención primaria están muy entrenados para manejar problemas de salud mental. Otra característica importante es la coherencia institucional. En la Argentina, advierto una fuerte fragmentación en la salud: están la Nación, las provincias, los municipios, los gremios, las organizaciones. Aunque esto pueda implicar una mayor vivacidad social, así el consenso debe buscarse entre muchos más actores. En Chile, en cambio, el Ministerio de Salud nacional toma decisiones, define reformas y las financia.

–¿Qué más observa sobre la salud mental en la Argentina?
–Mi grado de conocimiento de la Argentina es modesto, mientras que tengo trayectoria de trabajo en Chile y en Brasil, desde la OMS y la OPS. Puedo decir, sí, que en la Argentina hay un exceso de camas psiquiátricas, y una necesidad de invertir más recursos humanos en salud mental comunitaria, como de agregar camas en hospitales generales para internación de episodios agudos. También encuentro que el nudo más complicado es el área metropolitana. Sin embargo, hay experiencias en provincias argentinas que lograron reconocimiento internacional. La ley de desmanicomialización de Río Negro es una normativa de referencia, citada en diversos documentos. Es cierto que este proceso es más difícil en los grandes conglomerados urbanos.

–¿Cómo es, concretamente, la red de atención comunitaria que recomienda la OMS?
–Es algo más complejo que tener una sala de salud mental ambulatoria en la comunidad. Tampoco es sólo un conjunto de casas de medio camino, hogares protegidos, cooperativas de personas con discapacidad. También es más que la relación de trabajo con los servicios de atención primaria que actúan en el área, pero tampoco es sólo eso. No hay que reducirla a una cuestión de ingeniería institucional: casas, casitas, camas, no son más que los contenedores. La vida de una persona no se reduce a tener una casa y una cama; tampoco la de una persona con discapacidad mental. La salud mental comunitaria es un mundo de relaciones por las que a una persona vulnerable se le brindan oportunidades de aumentar su intercambio afectivo y material con el entorno social.

–¿Por ejemplo?
–Alguien puede creer que hace psiquiatría comunitaria si cierra un hospital psiquiátrico de 500 camas y las distribuye en diez lugares de 50, pero eso no es más que repartir la lógica y la cultura del manicomio. En cambio, pensemos en cada una de esas 50 personas: quizá tres de ellas no necesitan mucha asistencia y pueden ir a un departamento, con una trabajadora social que los visite una vez por semana; otros ocho necesitan atención más intensa, en la casa habrá un enfermero y el médico pasará una vez por día; otros pueden volver a su casa, la familia los acepta, pero mantenemos visitas domiciliarias para que los familiares se sientan respaldados; otros van a consultorios para hacer psicoterapia o recibir medicación; otros participan en una cooperativa que vende su producción en el mercado. Se trata de reconocer las diferencias, las individualidades. El manicomio es la negación de las individualidades. Se trata de que la comunidad se enriquezca en la interacción con sus grupos vulnerables.

–¿Cómo es este enriquecimiento de la comunidad?
–La rehabilitación no consiste en enseñarles a los enfermos mentales cómo ser más normales. La rehabilitación no es enseñarle a un grupo cómo parecerse a otro grupo, sino un proceso en el que dos grupos aprenden que hay reglas distintas. Uno puede pensar como discapacitada a la persona que no conoce las reglas para sentarse a la mesa educadamente: rehabilitar es inventar una mesa donde se acepten reglas distintas. Los que no pertenecen al grupo vulnerable se enriquecen cuando empiezan a pensar que ese chico con retraso mental es muy dulce y con eso aporta a la escuela; que ese loco que nos daba miedo resulta ser un tipo simpático, con el que podemos vincularnos. Esta interacción con la diversidad enriquece a todos.

–¿Cuál es el principal resultado de la participación de usuarios de salud mental?
–Bueno, ¿cuál es el aporte de los usuarios de automóviles? Decir cuándo el auto no funciona bien. No es cierto que los profesionales de la salud mental sepamos siempre qué es lo que necesitan las personas. Es mejor que el mensaje no sea: “Tú eres el paciente y debes producir síntomas, delirios, alucinaciones, y mostrármelos; por lo demás debes quedarte callado, yo te daré las respuestas”. Si entramos en otra relación, donde esa persona seguirá produciendo síntomas pero también otras cosas, entonces yo también podré entender más: su contexto familiar, sus miedos, qué es lo que puede tolerar, qué cosas puedo proponerle y qué cosas no. Hace unos días, en una mesa de trabajo en Chile, participó una señora mapuche que tenía cierto grado de retraso mental; en su intervención habló muy despacio, se notaba que tenía dificultades. Pero después pidió la palabra por segunda vez: “...además, quiero agregar que el psiquiatra de mi centro de salud tendría que escucharme más: él no me escucha”, dijo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Saúde Mental

Em comemoração ao Dia Mundial da Saúde Mental (10 de Outubro), diversas entidades e movimentos da sociedade civil, vão realizar atividades na Camâra Municipal de Vereadores de São Paulo, no dia 16 de outubro. Trazendo para o legislativo municipal uma reflexão sobre a Política, a Rede e as necessidades da Saúde Mental em São Paulo.

A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária esta participando dessa importante atividade. Nesse dia, a Rede vai apresentar propostas sobre a necessidade de reconhecimento e apoio do poder público municipal, aos projetos/ empreendimentos de trabalho e produção cultural, desenvolvidos e impulsionados pelos equipamentos da rede pública de Saúde Mental. Buscando fortalecer um dos eixos fundamentais para o processo de inserção comunitária dos usuários de saúde mental, que é o acesso ao trabalho.

Participe e traga suas contribuições. Venha Fortalecer o SUS e a Reforma Psiquiátrica brasileira.

Dia 16 de outubro de 2009
Local: Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, 100. Metrô Anhangabaú
1o andar.
Horário: 14 horas
Entrada Gratuita