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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sobre os acontecimentos últimos

Excelente.
"Os “rolezinhos” e “shoppings lotadões” — que é como eles chamam os eventos nos estacionamentos e áreas comuns — são uma forma de ação afirmativa. É ocupação político-cultural, embora fora das caixinhas da esquerdologia dominante, que não os reconhece como movimento. Mas, proibidos de fazer bailes na rua, e cada vez mais discriminados em sua cultura de resistência, resolveram levar a festa para os lugares onde a própria publicidade os convida: aos shoppings. Os jovens negros e pobres das periferias e favelas das grandes cidades estão, realmente, se organizando. É isto o que assusta. Se eles entrassem individualmente, se se portassem como consumidores bem-comportados, bem-adaptados, estaria tudo bem. O problema é que se organizam, que não querem deixar de ser eles mesmos, de existirem livres em sua riqueza, mesmo quando conquistam a admissão no clube da dita “Classe C” ou “nova classe média”.
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Imagem que encanta

Uma querida me disse:

"Acabei de assistir a Alamar.
Primeiro quero te agradecer por me emprestar esse filme. Belíssimo, emocionante. Estou até agora encantada pela harmonia entre a poética da imagem, a poética da relação de amizade e de amor entre as pessoas – sobretudo entre o pai e o filho – e a poética da vida. Enfim, o cara consegue delicadamente promover uma estreita relação entre a poética da vida e poética da arte, em momentos em que não sabemos que é uma coisa e o que é outra, onde começa uma e termina a outra ou, se elas estão imbricadas de uma forma indissociável. Talvez como devesse ser – pelo menos uma parte – da nossa vida... Enternecedor.
O que é aquele crocodilo que mora ao lado da casa deles? E aquela relação de amor com a garça? E o pai que entra no faz de conta do filho em busca da garça Blanquita? Muito bonito. Lindo o desejo do pai de apresentar ao filho tudo aquilo de mais bonito que ele conhece e vive. Pra mim é como se escutasse ele dizer: o mar é lindo, meu filho tem que conhecê-lo; a natureza é bela, meu filho tem que conhecê-la, apreciá-la e respeitá-la; ele precisa aprender a pescar; a cuidar da sua própria casa, da sua comida, de si, dos outros. Um filme sobre a o amor, a amizade, a paciência e o cuidado consigo e com o outro. Lindo. Faz pensar na responsabilidade que temos com o mundo e com aqueles que, de alguma forma, introduzimos nele."

"A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salva-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum." (Hannah Arendt)

obrigado Alê!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Nove anos depois do assassinato do cacique Verón, expedição registra conflito de terra no MS

Expedição de profissionais ligados à questão indígena e militantes de diversas áreas ficará até o dia 25 na região acompanhando a situação dos indígenas. Iniciada no último dia 10, a expedição que homenageia o cacique assassinado por jagunços, a mando dos fazendeiros locais, produzirá um relatório e um documentário para denunciar as ameaças de morte e exigir a demarcação dessas terras indígenas. A reportagem é de Fábio Nassif.

No último dia 13 de janeiro, há nove anos do assassinato do Cacique Marco Verón, liderança guarani-kaiowá de Mato Grosso do Sul, indígenas da aldeia Takwara fizeram uma cerimônia em sua homenagem. O cenário ainda é de violenta e cotidiana disputa pelas terras. A cerimônia, chamada de Yvy ra'i nhamboaty, foi realizada durante uma expedição de profissionais ligados à questão indígena e militantes de diversas áreas, que ficará até o dia 25 na região acompanhando a situação dos indígenas.

Iniciada no último dia 10, a expedição que homenageia o cacique assassinado por jagunços, a mando dos fazendeiros locais, produzirá um relatório e um documentário para denunciar as ameaças de morte e exigir a demarcação dessas terras indígenas.

Motivada pela morte de 260 indígenas nos últimos nove anos, a expedição, composta por geógrafos, jornalistas, psicólogos, advogados e educadores, tem se deparado com os problemas vividos nas aldeias. A pressão do agronegócio - principalmente da cana e da soja -, a violência dos fazendeiros, jagunços e empresas de segurança privada, a ausência - ou presença equivocada - do Estado fazem do Mato Grosso do Sul um dos principais palcos de mortes indígenas.

Portas fechadas
No dia em que a equipe da expedição foi recepcionada pelos guarani-kaiowá na aldeia Laranjeira Nhánderu, localizada no meio de uma plantação de soja no município de Rio Brilhante, os responsáveis pela fazenda colocaram caminhões e um globo de aço de arar terra na entrada para impedir a circulação de pessoas no local. Dentro de caminhonetes, homens armados rondaram a entrada da aldeia, deixando todos em estado de alerta.

O gesto de intimidação foi respondido por contados da expedição com a Funai, a Polícia Federal e entidades de direitos humanos. Para evitar mais um ataque aos indígenas, decidiu-se telefonar para o representante do Ministério da Justiça, Marcelo Veiga, para reforçar o envio de ajuda aos indígenas.

Três agentes da Polícia Federal e dois da Funai chegaram ao local, e, depois de conversar com os donos da fazenda, se entenderam com os índios. A presença deles ajudou no desbloqueio do caminho, mas explicitou as limitações desses órgãos para lidar com este tipo de confronto.

Diferente do entendimento comum de que a Funai deve defender os direitos indígenas, a responsável pelo órgão no estado, Maria Aparecida, afirmou que "o papel da Funai é mediar conflito entre os fazendeiros e os indígenas", mesmo em casos como esse, onde a terra está em litígio (aguardando julgamento) e historicamente pertence aos
guarani-kaiowa. Maria Aparecida reconheceu que, em algumas áreas onde a expedição pretende passar, a Funai e a Polícia Federal não atuam devido ao poder e agressividade dos fazendeiros.

Injustiça e violência
Também cercada pelas enormes plantações de soja, a aldeia Taquara vive situação semelhante: rios poluídos pelo despejo de agrotóxicos, tamanho limitado das terras que impede o plantio para subsistência, indefinição jurídica do local e ameaças de morte. O cacique Ladio Veron é um dos que estão marcados para morrer na lista dos fazendeiros. Ele passou o seu aniversário lembrando do dia em que os jagunços o seguravam, enquanto matavam seu pai na sua frente. Os assassinos, mesmo condenados, vivem em liberdade.

Nos locais do assassinato e enterro do corpo do cacique Marco, sua filha, Valdelice, segurando a neta Arami, reafirmou que "a luta do povo guarani-kaiowa não vai parar". A água da chuva se misturou com as lágrimas desta família, pertencente a u
m povo que resiste e vê sangue jorrar em suas terras, desde a colonização até agora, quando o projeto de desenvolvimento do país os condena à luta com fazendeiros e à morte por envenenamento por agrotóxico.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pra roda da vida em 2012!

Treino não é o que você faz quando é bom. Treino é o que faz você ser bom.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Agora é memória.

Já voltei para terra brasilis, mas o interessante é revisitar as memórias, ainda sentir as marcas no corpo, as lembranças na alma. Acho que isso acontece com quase todo mundo que precisa voltar. Saber ir é importante, mas poder voltar é fundamental. Alguém falou isso em algum lugar... Das histórias que conto uma das que já vi surpreender meus paisanos é a da luta livre mexicana. Até mascara de lutador eu tenho!hehehe O que acontece não é apenas o teatro, a ilusão da confusão, a mágica do combate. Tudo tem que ver com o público. Na luta livre mexicana o espetáculo mesmo é feito pelo público. É uma mistura de estádio de futebol, arena de gladiadores e teatro circense quase inimaginavel para quem não é de lá. Quer aprender a falar espanhol? esqueça as classes na escolinha de idiomas. Vai para Arena México! Quer ver o paradoxo mexicano? Conheça os lutadores e seus bairros de origem. Tenho certeza que quem vai até a Ciudad de Mexico e não vai as lutas não sabe o que significa ser chilango. É como ir ao Rio e não beber uma na Lapa ou Cinelândia. É estar em São Paulo e não ter ideia de onde fica a 24 no centro ou a pizza do bixiga. Fica faltando... Vai então mais algumas fotos das minhas idas a catedral da luta livre: Arena México e uma sequencia de lutas do Mistico só pra terem uma idéia do que estou falando .





domingo, 18 de dezembro de 2011

Viva México Cabrones!

Não há muito que dizer agora sobre o México. Fui falando com o tempo, compartilhando imagens e impressões de uma das terras mais lindas que conheci. Agradeço pelo encontro com essa gente, com esse povo lindo e tão guerreiro. Gracias a la vida! Gracias México! Agora estou realmente convencido que não existem fronteiras na América Latina. Nunca parti de um lugar com tanta certeza de saber que vou voltar como aconteceu agora. Num rato regreso carnales! As fotos são da despedida. Pinches locos!









quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O som de Los Tigres del Norte

Possivelmente o grupo musical mais conhecido no México hoje seja Los Tigres del Norte. Originários de Sinaloa, mas consolidados em San José, Califórnia, sempre tocaram o estilo regional do norte do México mais conhecido como norteño. Praticamente uma unanimidade de norte a sul, entre ricos e pobres, gente da cidade e campesinos, inclusive já bastante vistos fora do México também. Foram sendo conhecidos por suas letras e referencia a vida de narcotraficantes, estilo esse chamado de narco corrido. São relatos reais ou imaginários (quem garante?) repleto de feitos heróicos, com personagens destemidos, astutos, com muitas mortes, balas e armas pra nenhum gangsta rapper duvidar. A coisa do narco corrido é de certa maneira uma consequência dos corridos cantados a mais de um século sobre o sempre existente contrabando na fronteira México-EUA. Los Tigres não tiveram uma e nem duas canções proibidas de serem executadas publicamente e sim uma dezena, exatamente por terem essa ligação com o imaginário narco traficante que impera em muitos lugares do norte mexicano. Tornaram-se porta voz de uma vida dificíl e marginal entre chicanos nos EUA e nas últimas décadas começaram a ser reverenciados em território mexicano também. Aqui três canções de diferentes momentos. A primeira, Contrabando y traicion, exatamente um clássico desse estilo narco corrido dos anos 70. Depois um pout pourri de corridos proibidos para se ter uma idéia de que aqui no México falar de quadrilhas, corrupção, narcos, mortes, armas e tudo mais é feito ao som do ritmo "caipira local"! A montagem do vídeo está realmente divertidíssima, feita entre cavalos, chapéus de cowboys e muitas, mas muitas balas. A terceira, Somos más americanos, uma canção belíssima sobre a relação com os Estados Unidos numa versão para a MTV no ano passado que conta com a participação do vocalista do Rage Against de Machine.



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

El norte

Desde que cheguei no Mexico o lugar mais ao norte que estive foi a Ciudad de Mexico, ou seja, nao estive realmente no norte. Oaxaca, Chiapas, Vera Cruz, Costa Chica simplesmente me envolveram de tal maneira que o sul foi meu maior destino. Entao vou tentar um pouco que seja reparar esse desequilíbrio, já que acabo de chegar em Guadalajara. Guadalajara vive aquele dilema de estar entre duas culturas, dois espacos geopolíticos de um país enorme como o México. Lá no Distrito Federal, as pessoas consideram os de Guadalajara como norteños. E o povo do norte mesmo, os que estao mais pelo deserto, os de Tijuana, os de Sinaloa, os rancheiros, os de Monterrey, nao os consideram tao norteños assim; e uma parte da gente de Guadalajara nao se considera nada disso, ou acaba se reconhecendo nesses dois espacos e nessas duas influencias. Vou tentar entao falar um pouco disso nos próximos dias. Enquanto isso deixo aqui um coletivo de música bem norteño em sua maneira de criar música e estética. O Colletivo Nortec é de Tijuana. Fazem uma mistura interessante de música eletronica com ritmos do norte do México. Utilizam junto as batidas eletronicas instrumentos facilmente reconhecidos na música norteña como o acordeon, a tuba e a maneira de tocar a caixa. O vídeo que está aqui também é bem raro, com os músicos em uma viagem a China (Taiwan?) produzindo uma sensacao estranha no contraste das ruas e pessoas com a música.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Oferendas

Continuando por las ofrendas de la UNAM, pero de noite...