quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cine clube Terra Livre

O CINECLUBE TERRA LIVRE retoma suas atividades e tem o prazer de anunciar a
primeira sessão da Mostra “Olhares sobre o Movimento Anarquista no Brasil”, em parceria com o Centro Cineclubista de São Paulo, local de exibição dos filmes.

Nossa intenção é compreender e debater a relação entre anarquismo e sindicalismo e seu papel na formação da classe operária no Brasil.

Para isso selecionamos dois filmes que tratam da presença anarquista no movimento operário em São Paulo e no Brasil no início do século XX.

* Libertários, Lauro Escorel Filho, Brasil, 1976, 26min

Libertários é o mais antigo documentário sobre o tema produzido no Brasil e foi exibido nos circuito de cineclubes em São Paulo durante a ditadura militar. Não podia haver melhor filme para estrearmos a nova mostra do Cineclube Terra Livre. A película retrata as primeiras organizações dos trabalhadores e suas mobilizações, fortemente influenciados pelos ideais anarquistas.

* Deu N'A Plebe – A Greve Geral Anarchista de 1917, Fernando Puccini e João
Ricardo, s/d, 17 min

Já o curta Deu n'A Plebe foca a atenção na Greve Geral de 1917 e nas páginas do periódico libertário A Plebe. Contém entrevistas com pesquisadores e é baseado em documentos da época.
DOMINGO, 21/08, 18 horas

LOCAL: Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239, sala 13 – São Paulo
Próximo ao Metrô Consolação
Entrada Gratuita

* * *

Mostra “Olhares sobre o Movimento Anarquista no Brasil”

A mostra será realizada mensalmente, sempre no terceiro domingo do mês, a partir das 18h, no espaço do Centro Cineclubista de São Paulo.

A mostra trás produções que retratam experiências anarquistas ocorridas em terras brasileiras ao longo dos séculos XIX e XX

As sessões são públicas e gratuitas.

Segue a programação do semestre:

21/08 – Anarquismo e Sindicalismo no Brasil

18/09 – Colônia Cecília

16/10 – Teatro e Educação Anarquista no Brasil

20/11 – Ladrões Anarquistas

18/12 – Anarquismo nos anos 1970/1980

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PRÓXIMAS ATIVIDADES:

13/08 – Grupo de Estudos Movimento Operário Autônomo

17/08 – Grupo de Estudos Anarquismo e Educação

21/08 – Cineclube Terra Livre: Anarquismo e Sindicalismo

23/08 – Grupo de Estudos Anarquismo e Educação

24/08 – II Seminário Anarquismo e Sindicalismo – EACH/USP-LESTE – São
Paulo
CARTAZ:http://i1113.photobucket.com/albums/k519/bibliotecaterralivre/CARTAZIISEMINARIOESINDICALISMO.jpg

27/08 – Documentário sobre Sacco e Vaznetti

30/08 – Grupo de Estudos Movimento Operário Autônomo

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Biblioteca Terra Livre
http://bibliotecaterralivre.wordpress.com
bibliotecaterralivre@gmail.com

Endereço posta/Postal address:
Caixa Postal 195
São Paulo - SP - Brasil
01031-970

domingo, 7 de agosto de 2011

ele não sabe com quem mexeu

Por Carla Luma

Deus, a Natureza, essa força misteriosa graças à qual existimos — e acerca da qual não ouso aprofundar especulações para não prejudicar a pele, as unhas e o juízo — nos castigou com a maternidade e, para compensar, deveria nos conceder imunidade contra certos sentimentos, entre os quais o amor, que também estraga a pele, as unhas e o juízo. Sobretudo o juízo.

Ontem, depois de muito tempo, quase dois eternos meses, mergulhada na escuridão da loucura à qual fui atirada pela paixão por um cafajeste que me conquistou com barris e mais barris de lábia e de lágrimas, emergi quando num átimo de lucidez saquei que o dito cujo conseguiu me extorquir quase todo o saldo da caderneta de poupança com o pretexto de que era um empréstimo para estabelecer-se no comércio.

A estúpida aqui se sentia enlanguescida quando o filho da puta me dizia que já não conseguia suportar os ciúmes e a dor que sentia quando me sabia nos braços de outro homem, mesmo sabendo que para mim é um serviço como outro qualquer, no qual não há sentimento algum envolvido. E dizia que me libertaria dessa escravidão quando o seu negócio começasse a dar lucro, e me fazia assinar outro cheque.

Quase dois meses me enrolando. Nunca me disse onde investia o meu dinheiro. É uma surpresa. Mas é comércio do quê? Em qual rua? É uma surpresa, no dia da inauguração você vai ver. A loja está ficando linda, mais dois ou três meses. Espere, tenha calma. E beijava os meus olhos, beijava as mãos, a boca e me arrancava a roupa, me comia e me fazia assinar outro cheque.

Ontem eu não resisti à curiosidade e resolvi segui-lo. Peguei um táxi porque temia perdê-lo neste caos que é o trânsito em São Paulo. Melhor não dar aqui todas as voltas que o carro deu até chegar em uma rua no Tucuruvi. Ele estacionou e entrou em um prédio de apartamentos. Esperei uns cinco minutos e entrei no prédio. Francisco, o velho porteiro, encantado pela generosidade do meu decote, era todo loquacidade e em menos de dois minutos eu já sabia que o meu amantíssimo gigolô era casado e pai de três crianças.

Subi ao 904. Abriu a porta uma garotinha linda com cerca de sete ou oito anos de idade. Ela sorriu e aquilo me desarmou. Vi-me naquela menina. Vi-me quando tinha medo de escuro e me enfiava entre papai e mamãe quando acordava assustada com a escuridão da madrugada. Vi-me quando me escondia debaixo da cama para não assistir papai bêbado espancando mamãe. De dentro uma voz de mulher perguntou quem era. Baixinho eu disse que era engano e a menina gritou para dentro que era engano. Desci chorando de raiva porque não consegui executar o meu plano de vingança. Não, eu não poderia fazer aquilo. Aquela garotinha, seus irmãos, sua mãe, eles não tinham culpa da minha estupidez.

Ontem não voltei pra casa, como quem não voltaria para um quarto escuro. Caminhei à-toa, depois fui para a casa de Amália Malaquias, amiga cuja alegria contagiante é sempre capaz de me transformar o humor, de trazer-me de volta à luz. Agora, em casa, refeita, escrevo esse relato que se não servir pra nada mais, servirá pra que eu não me esqueça e caia outra vez na tentação de uma vida normal. Miguel ainda não sabe que eu sei. Hoje, quando vier, será recebido como se nada tivesse acontecido e eu o farei broxar, eu o humilharei naquilo que ele se considera infalível e eu o tangerei como quem tange uma vaca velha que não dá mais leite nem cria. Eu o cuspirei como quem cospe bagaço de fruta chupada. Ele não sabe com quem mexeu.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Na palma, no pé e no coração.

Certa vez um conhecido que vivia um enorme dilema em sua vida disse que precisava transformar a maneira que fazia as coisas. Que não estava funcionando levar a vida na flauta, que precisava ser no toque de caixa. Não sei bem porque lembrei disso agora, mas o que me parece ser interessante nisso tudo é a necessidade de ritmo. A vida convida a cadência, ao compasso, ao vazio necessário entre uma batida e outra do atabaque, para o paradoxo entre a sutileza e a intensidade da pegada. É ritmo na palma da mão e na sola do pé, mas principalmente dentro do coração.

"Erguendo Barricadas! Basta de Assassinatos! Nenhum Militante a Menos!”

Por Tribunal Popular - O Estado brasileiro no banco dos réus

Dia 08 de Agosto temos, todos e todas que lutamos contra o capitalismo, um compromisso marcado com a denúncia das atrocidades sofridas pelos militantes Brasil afora. Nosso compromisso é também de proteger e se solidarizar com tantos "Josés e Marias" que, ainda vivem sob a ameaça constante de ver suas vidas ceifadas em nome das causas que defendem.

Nas últimas semanas os assassinatos dos companheiros José Cláudio Ribeiro da Silva, Maria do Espírito Santo, ativistas do Assentamento Praia Alta Piranheira, no sudeste do Pará, de Adelino Ramos, o Dinho, líder do movimento camponês de Corumbiara, e outros que continuam acontecendo, escancararam aquilo que ocorre de maneira cotidiana: a perseguição, humilhação, ameaça e repressão aos ativistas sociais em todo o país.

No campo, trabalhadores sem terras, assalariados rural e camponeses que vivem da extração dos recursos da floresta (como o casal de castanheiros assassinados) sofrem o peso de defender nosso patrimônio natural, nossos recursos, nossa Amazônia, rapinadas pela sangria desatada do capitalismo.

Mais que isso, indígenas e quilombolas enfrentam toda sorte de perigos levando no peito a batalha histórica pelo mínimo reconhecimento de sua cultura materializados na demarcação de suas terras, no reconhecimento de seus direitos e de sua forma de organização comunitária. Nas cidades, o monstro da especulação imobiliária empunha seu braço armado contra a população pobre e os militantes que se mobilizam na luta por moradia, justiça e melhorias comunitárias. As maiores vítimas nas cidades são os trabalhadores, em especial os jovens negros, assassinados cotidianamente pelas mão dos Estado.

No país da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, o que tem sido servido à mesa é o sangue de lutadores e lutadoras, porque nesse nosso estado democrático de direito, não temos direito de lutar por nossos direitos, de nos organizarmos contra a injustiça que assola os trabalhadores e trabalhadoras que sorvem seu suor para manter este país.

O Estado omisso, coadjuvante ou protagonista, e os grandes grupos capitalistas (mineradoras, construtoras, incorporadoras, expoentes do agronegócio, entre outros) que exterminam aqueles que ainda sonham com um Brasil melhor devem ser expostos, denunciados, constrangidos e condenados pela maior violação de todas: aquela que atenta contra a vida com o fim de garantir o lucro.

No dia 08 de agosto, no TUCA, ergueremos nossas vozes em denúncia e solidariedade, em repúdio aos poderosos e em unidade com os trabalhadores.

Nossa maior riqueza são nossos companheiros e companheiras que se doam todos os dias na construção de um amanhã diferente e esta riqueza não deixaremos que a mão de ferro do capital destrua.

Todos e Todas à Luta!

Todos e Todas ao TUCA!

Todos e Todas - os que lutam - Somos ameaçados!

Organizadores:

APROPUC-SP - Luta Popular – MST - Tribunal Popular - Construção Coletiva - Movimento Indígena Revolucionário-Coletivo 28 de Junho- Coletivo Barricadas-Revista Debate Socialista-ntersindical-CR​ESS-SP-CSP Conlutas-ABEPSS-DAR-Terra Livre-SINSPREV-ENECOS

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Para conhecer o México Profundo: uma crítica as interpretações dos conquistadores e uma aproximação as outras posibilidades das visões originárias.

O documentário de Enrique Escalona (1988) intitulado Tlacuilo faz uma crítica pertinente quanto as interpretações sobre os registros históricos dos povos originários daquilo que veio a ser o México. Feito na década de 80 está baseado nas pesquisas de investigadores, principalmente de Joaquím Galarza, interessados em compreender o real sentido dos documentos pictográficos feitos pelos náhuatl e seus Tlacuilos. Essa é uma palavra derivada do náhuatl tlacuilō o tlacuihcuilō que quer dizer “aquele que trabalha na pedra ou na madeira” e que depois veio a ser denominado como o escriba, o pintor, escritor ou sábio.

Eram homens e mulheres que desde crianças foram instruídos ao conhecimento profundo de sua língua e cultura. A intenção é que pudessem dominar a pictografia e outros assuntos relacionados a manutenção e desenvolvimento da cultura. Eram versáteis em assuntos de biologia, física, matemática, história e tudo mais que estivesse relacionado com suas necessidades.

O interessante desse documentário é apresentar uma revisão do material encontrado e proposto pelos exploradores espanhóis e questionar sua equivocada leitura do trabalho feito pelos Tlacuilos. Foram mais de 4 séculos de interpretações repletas de preconceitos e um olhar europeu que tratou de ignorar as narrativas feitas em diferentes contextos e materiais deixados pelos povos pré-hispanicos.

O documentário registra uma outra possibilidade de entendimento dos códicos náhuatl, ou também chamado Códice Mendoza, e busca considerar a contribuição dos herdeiros diretos dessa tradição. Por exemplo, entender sua hierarquia social, seu calendário, a relação com o tempo, componentes que em alguns casos eram opostos aos dos conquistadores. Por séculos os europeus interpretaram esse material sem consultar os povos que os produziram. Assim, uma das partes fundamentais para construir outra leitura é perguntar e agregar os falantes de náhuatl, seus poetas e artistas, artesãos e religiosos entre outros para uma aproximação mais fidedigna ao que foi deixado por seus antepassados.

Assim que os Aztecas foram derrotas no inicio da invasão espanhola, um material composto basicamente de folhas de papel foi entregue aos vencidos para contar parte de sua história. Esse material foi enviado ao imperador da Espanha Carlos V e o que poderia vir a ser sua surpresa não era uma história contada por uma língua latina, mas por desenhos. A tarefa foi encarregada evidentemente aos Tlacuilos de seu tempo, aqueles que escrevem desenhando. Isso foi suficiente para uma sério de equívocos e más interpretações sobre as culturas originárias. Exatamente porque o tradutor desse material não tinha sido um dos seus autores a ir a Espanha ler o que estava contido nesse material, mas um próprio espanhol que tratou de colocar “legendas” absolutamente toscas aos relatos. O resultado foi que a riqueza e diversidade náhuatl, como nos conta o diretor, foi sendo sepultada pelas leituras a bel prazer europeu. O primeiro grande equivoco foi que os europeus sempre olharam esse material como simples representações e não como o que devem ser: pinturas que são textos, manuscritos com imagens.

Esse material andou o mundo e nunca chegou a seu destino. Por anos passou pelas mãos de piratas, comerciantes, religiosos, pesquisadores e foi parar na universidade de Oxford, Inglaterra, onde se encontra até hoje.

Os pesquisadores desse material estão conscientes que o entendimento real e final não é possível a uma única investigação saber sua complexidade. A compreensão da diversidade e profundidade depende do trabalho de gerações. Muito já foi feito e isso nos ajuda a conhecer um pouco mais do passado e do que é chamado atualmente de México Profundo.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Entrevista con La Santa Muerte: Fabrizio Lorusso

Ciudad de México, un día de 2011. Tengo el honor de presentarles a la mismísima Santa Muerte, quien nos hablará de ella y su culto en México, por primera vez en la historia. Al anochecer, sobre Ferrocarril de Cintura y Avenida del Trabajo, estamos en el umbral del barrio bravo de Tepito. La Santa llega puntual y acalorada, nos sentamos sobre una banca negra, apartados. La tarde es bochornosa y mi grabadora impaciente registra la portentosa vida de la Muerte.


–¿Cuándo nació Usted?

–Bueno, nací con la vida. Soy su fin, pues. O su continuación, como quieran verla. Para los antiguos mexicanos yo estaba dentro de un ciclo. Según la Biblia, nací cuando el pecado original. Adán y Eva comieron su manzana rica y, luego, Dios me contrató, creamos la mortalidad. Más bien, Él lo hizo y yo feliz. Al inicio, no tenía chamba, ya que los hombres eran muy longevos. El Noé del diluvio llegó a los 950 años de edad, no inventes. A Moisés me lo llevé a los 120. Por suerte, después, la especie se tornó más corrupta, gozosa y golosa, y me los cargo antes de los cien.

–¿Hace cuánto la veneran?

–¡Jijo, un buen! Antes les encantaba a los mortales explorar mi naturaleza inexplicable y fascinante. Y modesta, ¿verdad? En cambio, en el último milenio empezaron a tenerme mucho miedo y poco respeto en Europa. Fue por culpa de la peste negra.

–No pues, está grueso, ¿y qué pasó?

–A partir de 1348, me llevé personalmente a 25 millones de galos, germánicos, gachupines e itálicos. Me cansé pero valió la pena para mi carrera de segadora. Hasta la fecha se rehúsan a verme y hablar de mí. En América los obispos persiguieron mis imágenes con lujo de violencia. Igual me los llevé, lenta pero segura.

–¿Cuál era su relación con los aztecas?

–Aquí en México mandé a una pareja pa’ cuidar el inframundo, el Mictlán, ¡qué bien me cumplieron! Eran Mictlantecuhtli, el rey, y Mictecacihuatl, su reina. Buena gente, descarnados, populares y honrados como yo. Hasta hoy los recuerdan y me ponen sus penachos y ropa.

–Vaya, sí sabe mucho. Va otra. ¿Es usted una Santa de verdad?

–Mira, ¿según quién? En mi querido Más Allá hemos tenido pláticas milenarias sobre los santos. Para la Iglesia no lo soy. Como soy de purititos huesos sin carne, no me dan chance pa’ la canonización. Pero ni quiero, soy una entidad, objeto de fe y culto popular. Opino que un santo no católico tiene dignidad como los otros. Me quieren, ya que no solapo a pendejos, ni enaltezco a cabrones.

–¿Se cree más poderosa que Dios?

–No te pases. Él me mandó. Posiblemente haya una sola vida y una sola muerte y me encargo de eso. La gente dice “primero Dios, luego Ella”. Hablan de mí y hasta me pongo roja, porque me dan tanta dicha y valoración, pero no hago clasificaciones. ¿A poco no queremos todos un granito de reconocimiento de vez en cuando?

–¿Cómo le llaman? ¿Cuántos son sus devotos?

–Si me quieren mostrar cariño, me llaman Flaquita, Bonita, Niña Blanca, Hermosa y, de respeto, Patrona, Señora, Comadre, Hermana, Jefa. Los duros y puros devotos son como cinco, quizá 10 millones en México, Estados Unidos, Centroamérica e incluso en Japón y Argentina. Allí está un primo mío llamado San La Muerte. Le deseo puro éxito a ese gauchito, ojalá lea esto.

–Estimada Santa, ¿cuál es su compromiso con la democracia?

–Mijo, no me hagas preguntas pendencieras, pa’ no decir otra con “pe”. ¿Me viste cara de H. congresista? Soy superdemócrata porque igual me llevo a un rico que a un pobre, a un joven que a un viejo, a un político y a un maleante: acaban en lo mismo y es democracia real, no populismo.

–¿Por qué anda con guadaña, amuletos raros y hasta un mundo en la mano? A muchos les parece espantoso, cuando menos, y se ve de mal gusto. Explíquenos, por favor, Santísima.

–El chisme, ni lo pelo. No me gusta lo fashion. Te explico. La guadaña protectora vence envidias y hechizos. Corta vidas filosamente. Brilla a lo lejos y mutila de cerca, obvio. Ten cuidado, he de averiguar cuándo es tu turno porque cuando te toca, aunque te quites, cuando no te toca, aunque te pongas. La balanza es la ley igual para todos: en mi reino, sí es cierto. El reloj de arena me gusta, es retro pero rifa. Es la vida que se te va lentamente de las manos, sin embargo, con una girada arriba abajo, empieza otra vez con arena fresca. ¿Cómo ves? Otra. “Cuando el tecolote canta, el indio muere.” El búho es mi respetable mensajero nocturno. El globo terráqueo, pos, decía Netzahualcóyotl que “toda la redondez de la Tierra es un sepulcro; no hay cosa que persista, que con título de piedad no la esconda y la entierre”. A veces me siento sobre la Tierra para descansar y me hacen unos retratos que ni Miguel Ángel. También me pintan sobre un trono o a caballo, pero de pie es lo típico.

–¿Qué tal su túnica?

–Fíjate. Cada quien trae su piel puesta, es una capa externa. Yo, en cambio, porto mi atuendo y saco mis manos, mis pies y mi rostro de calavera. Al verme finalmente se dan cuenta de que son todos iguales: debajo de su piel y ropa, esconden huesos blancos como los míos y no hay disfraz de por vida. A cada color de mi sayal le dan un sentido simbólico. Está bien, siempre y cuando le nazca a la gente.

–Las malas lenguas dicen que su culto sólo es de pobres, presos, “nacos” y “prostis”.

–Ay, mi chavo, nomás le ponen etiquetas a las personas. Los excluidos me buscan. Los barrios son cultura que no sólo está en los libros. También hay mucha pobreza, así que donde falta todo, queda la pura fe y, mientras más santos haya, mejor. Dicen que soy celosa y no es cierto, mis altares reciben a todo santo y todo fiel: hay lugar, y más para los débiles.

–¿Y en la cárcel?

–Allí me tienen mucho cariño, claro, ¿y qué? Me preocupo por lo que pasa adentro ¿y ustedes? Toditos podemos ser pobres, presos, nacos o, como dijiste, prostis. No juzguen, yo soy quien maneja balanza y guadaña.

–Otros dicen que es la Santa de los narcos y de la Mara Salvatrucha.

–Órale, pero ¿hicieron un conteo de cuántos presuntos narcos y mareros se tatúan a la Virgen o a San Juditas, o solamente se fijan en mí? No niego cierta afición, sí soy carismática, pero no soy narcosanta como dice la prensa amarillista. Escriben que soy satánica y mala, que exijo sacrificios y bobadas así. No me conocen, pero ahora, ¿quién pondría eso en un periódico serio?

–¿Ha probado alguna droga?

–¿Por qué crees que estoy tan flaquita? No, es broma. Todo probé en la vida, bueno, en la muerte. Muchos me piden sacarlos del vicio y con gusto los apoyo.

–¿Tiene novio o galán?

–Ándale, ¿te lanzas? Mi veneranda edad me enseñó a ser discreta. Sé de unos que sueñan conmigo en la noche, pero estoy bien sola: trabajando, emancipada y ocupada.

–¿Usted le entra a la santería y al vudú?

–La santería es una tradición cubana y el vudú llega de Nigeria a Haití. Son religiones que trajeron los africanos yoruba a América. En mi culto hay algo de sus usanzas. Por ejemplo, la práctica del pureo, en que se depura mi imagen echándole humo, o las ofrendas de licores tropicales como ron y tequila. Algunos me identifican con la orisha Yemayá, dueña del mar y madre de los dioses. Me cae que sí hay rituales que me utilizan para la magia, la brujería y las limpias. Las tiendas esotéricas venden todo producto y servicio, aunque siento que me están explotando para cosas que tampoco son lo mío, la verdad.

–¿Cuáles son sus orígenes, Santísima?

–¡Uh! Pues, niño, te cuento que mi imagen tiene mil años, es un mix de iconografías judeocristianas y grecorromanas. ¡Qué cosas! Como me ves ahorita, aquí a tu lado, es como me pintaron en el medioevo y en el barroco en Italia, España y demás. Bailaba en esos lienzos de las danzas macabras dentro de iglesias y osarios. Presidía esqueléticamente las procesiones del Viernes Santo sobre las carretas de la muerte. Chulada.

–¿Le gusta lo barroco?

–¿A mí? Me gusta lo extrovertido y, no lo digas a nadie, también la Vida, sin bronca. Mi función era recordarles que un día morirían, el famoso memento mori. Amo el espíritu y la estética de la tierra mexicana, algo barroca y musical. El Día de Muertos, ese “patrimonio de la humanidad” católico-mestizo de México, es bonito, pero es una muerte domesticada. Lo mío es popular y más libre, por lo que me hostigan. Cuando los de siempre y las jerarquías ya no controlan a todas las almas, tiemblan.

–¿La Enfermedad es su amiga?

–Sí, pero no super cuata. Antes nos llevábamos, cuando acompañaba mi labor segadora de muchedumbres. Ahora anda floja y los doctores la hacen tonta con tachitas y palabritas. Me cae que ya no jala.

–¿Qué pasó cuando llegó a México?

–Los españoles trajeron la cruz y la espada. Las cofradías de la Buena Muerte vendían a los ricos un rápido ascenso al paraíso mientras que los pobres iban a las fosas comunes. Mi silueta con hoz espantaba a los nativos. Sin embargo, el juego no duró tanto y en el siglo XVII ya usaban mi efigie a su gusto. La Inquisición ordenó perseguirme como una idolatría practicada por “indios”, quienes me llamaban ya “Santa Muerte.” En Chiapas me decían San Pascual Bailón y allí me salvé.

–¿Cómo se conservó por tanto tiempo?

–No uso maquillaje, ves. Mi culto se mantuvo gracias a las abuelitas y las guardianas, matronas, como yo, del México profundo. Las familias me salvaron de las persecuciones sin pensar en el lucro. Mis imágenes coloniales rescatadas son la de San Bernardo en Tepatepec, Hidalgo; la del Museo de Yanhuitlán, Oaxaca, y la de La Noria, Zacatecas. También en Tepito el culto es antiguo. Hace diez años el altar de Alfarería fue el primero en ponerse en la calle y es el más concurrido. Hay al menos mil 500 altares en el DF y más en la República.

–¿Qué pasa en Tepito?

–Nada. En BarrioDeTepito.Com, un sabio cronista comenta que “los chilangos temen Tepito y no se dan cuenta de que ya México se ha convertido en el Tepito del mundo”. Además, México y Tepito tienen las vocales emparedadas, ¿curioso, no? En Tepis, junto a la Guadalupe, soy la Señora del barrio, pero como que se me quiere más.

–¿Hubo intentos de explotarla?

–Sí, pero no me gusta que la fe se patente y sea una SA de CV. El padre David Romo tuvo presencia en los medios, mismos que crearon a un falso líder del culto, mientras que él es fundador de una Iglesia Tradicional que perdió su registro y no me domina a mí. Tiene un santuario en la Morelos, pero cambió mi figura huesuda con la de un Ángel encarnado. En el Estado de México, Jonathan Legaria, el comandante Pantera, era todavía muy chavo cuando, en 2008, lo acribillaron en Tultitlán. Quedó una estatua mía de veintidós metros, pero nunca supe bien qué negocios armaban.

–¿Es vengativa? ¿Si no le cumplen, usted castiga?

–No, ¿cómo crees? Cuando uno se sugestiona, cree que algo malo va a pasar y se aplica la ley de Murphy. Si temen que los voy a castigar, algún castigo ocurre solito.

–¿Hay manera de “arreglarse” con usted para un tiempo extra?

–No amigo, ¿qué pasó? ¿Mordidas? No busco plata. Si me rezas, como intercesora con el cielo, puedo recomendarte en la delegación divina, pero Él decide, ni tú, ni yo.

–¿Qué le piden?

–El regreso del marido, el amor de la galana, ayuda con deudas y juicios difíciles, protección del peligro, darle un chance al adicto y al preso pa’ que salgan de su jaula. Paros. Dinero. Éxito en el gabacho. No soy más poderosa que la Virgencita, pero sí más cabrona.

–Para eso, ¿no está San Judas Tadeo?

–Es amigo, trabaja casi lo mismo, pero se quedó con la Institución. Lo promueve la Iglesia y le ganó a san Hipólito, quien fue impuesto como patrono en 1528. Es bueno, pero sigue siendo un cuate cooptado. Yo no me dejo.

–Usted se ha vuelto toda una estrella. La invocan como “querido ser de luz”. ¿No es una contradicción? Sin ofensa, dicen que usted resume los valores negativos de la sociedad.

–No soy un chivo expiatorio de sus problemas. Vengo a recordarles su destino pa’ que vivan bien sin desear el mal a su vecino. Protejo a los que nadie cuida. Alumbro el camino y su fin: pasos y metas, un “nos vemos” y un “adiós”. Cada noche ensayan el sueño mayor, ya están listos. Adiós.

–Muchas gracias, nos vemos.

Mientras se aleja, la Patrona me indica un cartel: “Hoy estás en los brazos de la vida, pero mañana estarás en los míos. Así que vive tu vida. Te espero. Atte. La Muerte.”

fonte: http://www.jornada.unam.mx/2011/05/08/sem-fabrizio.html
contacto: http://lamericalatina.net