segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Povo querido! Continuo aqui no Mato Grosso do Sul na expedição Marcos Veron e sem nada de net ou tempo de enviar os relatos do trabalho e da luta que esta acontecendo aqui. Acompanhem o site do grupo e logo mais a gente se fala. Apesar dos desafios e de toda dor, a luta não retrocede um milimetro! Ainda contamos com o apoio de todos e todas! Abraços


http://catarse.me/pt/projects/492-expedicao-ao-territorio-kaiowa-guarani-cacique-marcos-veron-tekoha-nhe-e-ayvu-arandu

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Expedição ao território Kaiowá-Guarani “Cacique Marcos Verón” – Tekoha Nhe’e Ayvu Arandu.

O crescimento econômico na época do mercantilismo estava diretamente ligada à composição de mão-de-obra e capital fixo num determinado "recipiente geográfico", ou território circunscrito pelas fronteiras políticas de um país. Como tal, quanto mais o capital nacional preenchesse o espaço territorial do país com diversificações do capital em vários ramos produtivos específicos unidos pelo mercado, mais opulenta era a nação, menor era a taxa de lucro.
Os país mais opulento era a China: incomparavelmente mais populosa e diversificada no mercado interno, sua contribuição ao PIB mundial ultrapassava e muito todos os países da Europa juntos. O exemplo contrário: as colônias dos Estados Unidos: com muito território e pouca população (branca!!!) contribuíam muito pouco para o PIB nacional, em compensasão a taxa de lucro de cada proprietário de terras era imensa. Os salários para os que cultivassem essas terras eram também muito altos e como resultado, dentro de poucos anos, os trabalhadores largavam sua vida assalariada e iam, eles próprios, em busca de suas próprias terras para explorar a mão de obra de outrem. As colônias ibéricas souberam logo como evitar isto: escravizar de uma vez a mão de obra indígena e posteriormente descobrir o filão de mercado do tráfico negreiro. Aí, o suor indígena tornou-se realmente dispensável e um holocausto étnico tingiu de vermelho o chão desta colônia açucareira.
O massacre indígena é o inconscinte que funda a nossa soberania: recalcado sob as plantations de cana, retorna de forma pulsional a todo momento. É por isso que o Tribunal Popular juntamente com dezenas de outras organizações populares vem convidar a todos para contribuir com a expedição de duas semanas ao território Guarani-Kaiouwá no Mato Grosso do Sul onde nos últimos 8 anos, 250 lideranças populares indígenas foram assassinadas por latifundiários locais em busca de expandir seu agro-negócio por cima dos corpos calejados destes guerreiros milenares.
A expedição pretende mandar 15 profissionais e militantes da luta pela causa indígena para documentar sob a forma escrita e audio-visual a vida e as demandas desta população. Entre elas: – Cobrar para que coloquem o ‘Marco’ nas Terras Indígenas que já têm portaria demarcatória e exigir uma resposta de por que não se fez isso até agora.– Cobrar justiça para os assassinatos dos caciques e líderes indígenas que não prescreveram (250 assassinatos em 8 anos.)– Denunciar as perseguições e as mortes dos professores indígenas(13 mortos em 3 anos), que tem importante papel nessa luta já que são eles que escrevem e relatam a fala dos mais velhos para os trabalhos de identificação das terras tradicionais, entre outras coisas. O total de recursos da expedição é de R$ 36.000,00, conseguimos 16 mil, precisamos de 20 mil reais, até o dia 09 de Janeiro para a realização da expedição. É só entrar no site abaixo, clicar na barrinha verde e doar de R$ 20,00 a R$ 1.000,00 e estará ajudando a realizar essa expedição-denúncia.

http://catarse.me/pt/projects/492-expedicao-ao-territorio-kaiowa-guarani-cacique-marcos-veron-tekoha-nhe-e-ayvu-arandu
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Abraço fraterno,

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pra roda da vida em 2012!

Treino não é o que você faz quando é bom. Treino é o que faz você ser bom.

2012

Por Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor livre-docente do Instituto de Psicologia da USP.

No fim de todo ano vivemos um período de exceção. Suspende-se a batalha, a luta. O cotidiano de trabalho, as tarefas domésticas e os encargos com a sobrevivência se convertem em trégua. É possível fazer um paralelo com uma situação ocorrida no século passado. Quando terminou a Primeira Guerra Mundial e muitos soldados retornaram para casa, suas famílias e amigos, ou o que restava deles, aguardavam intensamente o reencontro. Contrariando as expectativas, os soldados voltaram profundamente silenciosos. Não havia nada a contar, eles estavam empobrecidos – sem possibilidade de transmitir suas experiências. Sobreviver a uma guerra, ainda mais de tais proporções, deveria ser uma aventura que pudesse ser convertida em uma boa história: triste, sofrida ou heroica, tanto faz, desde que fosse umanarrativa capaz de transmitir e integrar fragmentos de sentido à comunidade de origem da qual a pessoa partiu. Mas não foi isso o que se verificou.

Havia relatos e descrições – mas tais fatos e informações, por si sós, não são suficientes para construir boas histórias. Uma nova forma de miséria tinha sido inventada: o sofrimento moral da guerra fez surgir a miséria narrativa, a morte do desejo ou das condições para compartilhar tais experiências simbolicamente. Se o final do ano pode ser comparado a uma trégua, ele nos convida a enfrentar o mesmo dilema dos soldados que retornavam. Como contar a história do que se passou?

Essa questão levou o pensador alemão Walter Benjamin à importante distinção entre a vivência (Erlebnis) e a experiência (Erfahrung). Ele notou que um conjunto de vivências, intensas ou banais, não constitui necessariamente uma experiência. De fato, o progresso da técnica – principalmente da que se instala em nosso cotidiano – torna mais fácil a produção de vivências. Chamemos esta sensação de “efeito internet”, ou seja, a sensação psíquica de que tudo está mais rápido, mais acessível e prático: viajar, comprar, namorar, transar, comunicar, trabalhar, saber. Ao mesmo tempo, como acontece com aquilo que se massifica, tudo parece mais banal, vazio e pobre: “Conheça a Europa em sete dias, visite dez capitais!” Resultado: muitas vivências, nenhuma experiência. Voltamos da viagem, no máximo, com uma coletânea de fotos e fatos que tendem a se misturar de forma homogênea e decepcionante. A vivência é a verticalização das sensações, o que as torna efêmeras e individuais. Quem já jogou videogame por mais de cinco horas consecutivas sabe da estranha sensação de solidão que sobrevém ao fim da maratona. A experiência (Erfahrung), ao contrário, é uma horizontalização das sensações, ela nos liga aos outros em uma espécie de dilatação do tempo. Experimente passar as mesmas cinco horas conversando apaixonadamente com sua namorada. Parece que se passou bem menos tempo e, mesmo depois que vocês se separam, a imagem da pessoa amada fica ainda presente em sua memória. A ausência se transforma na presença relembrada das palavras que ficam ressoando e, muitas vezes, nos leva ao impulso de compartilhar o que recebemos. Mesmo sozinha a pessoa não se sente só. Como ocorre quando escutamos uma boa piada ou uma história significativa, somos levados a partilhá-las com os outros, extraindo de seu relato o prazer adicional da transmissão.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Agora é memória.

Já voltei para terra brasilis, mas o interessante é revisitar as memórias, ainda sentir as marcas no corpo, as lembranças na alma. Acho que isso acontece com quase todo mundo que precisa voltar. Saber ir é importante, mas poder voltar é fundamental. Alguém falou isso em algum lugar... Das histórias que conto uma das que já vi surpreender meus paisanos é a da luta livre mexicana. Até mascara de lutador eu tenho!hehehe O que acontece não é apenas o teatro, a ilusão da confusão, a mágica do combate. Tudo tem que ver com o público. Na luta livre mexicana o espetáculo mesmo é feito pelo público. É uma mistura de estádio de futebol, arena de gladiadores e teatro circense quase inimaginavel para quem não é de lá. Quer aprender a falar espanhol? esqueça as classes na escolinha de idiomas. Vai para Arena México! Quer ver o paradoxo mexicano? Conheça os lutadores e seus bairros de origem. Tenho certeza que quem vai até a Ciudad de Mexico e não vai as lutas não sabe o que significa ser chilango. É como ir ao Rio e não beber uma na Lapa ou Cinelândia. É estar em São Paulo e não ter ideia de onde fica a 24 no centro ou a pizza do bixiga. Fica faltando... Vai então mais algumas fotos das minhas idas a catedral da luta livre: Arena México e uma sequencia de lutas do Mistico só pra terem uma idéia do que estou falando .





domingo, 18 de dezembro de 2011

Viva México Cabrones!

Não há muito que dizer agora sobre o México. Fui falando com o tempo, compartilhando imagens e impressões de uma das terras mais lindas que conheci. Agradeço pelo encontro com essa gente, com esse povo lindo e tão guerreiro. Gracias a la vida! Gracias México! Agora estou realmente convencido que não existem fronteiras na América Latina. Nunca parti de um lugar com tanta certeza de saber que vou voltar como aconteceu agora. Num rato regreso carnales! As fotos são da despedida. Pinches locos!